Ações de Trump geram movimentação na agenda comercial da América Latina

9 Fevereiro 2017

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou, em 23 de janeiro, um decreto para a retirada do país da Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês). Nessa ocasião, o mandatário afirmou que uma de suas próximas ações será a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês). Ainda, a promessa feita por Trump de que aumentará as tarifas para México e China gerou preocupações com um eventual aprofundamento do protecionismo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse contexto, as principais economias latino-americanas têm considerado o avanço de uma agenda de comércio com outros parceiros dentro e fora da região.

 

A promessa de renegociar o NAFTA, anunciada desde a campanha presidencial de Trump, tem estimulado o México a diversificar suas relações comerciais. Em 1º de fevereiro, o secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo, reuniu-se com Cecilia Malmström, comissária de Comércio da União Europeia (UE) para discutir formas de “modernizar” o acordo comercial do México com o bloco europeu. As rodadas de negociação estão programadas para os dias 3 a 7 de abril; e 26 a 29 de junho de 2017.

 

No Brasil, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, enxerga nas medidas de Trump uma “oportunidade para o Brasil” estabelecer novos acordos comerciais. O governo brasileiro já indicou que tem o interesse de acelerar as negociações entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a UE. Além disso, no Fórum Econômico Mundial, o Brasil concluiu o diálogo exploratório com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês), ocasião em que foram lançadas as negociações do acordo de livre comércio entre os dois blocos. Marcos Pereira também afirmou que recebeu orientações do presidente do Brasil, Michel Temer, para que trabalhasse em uma agenda de diálogo no Mercosul.

 

De modo semelhante, o governo argentino considera essencial que, diante das atuais condições, o Mercosul seja revitalizado para que as oportunidades junto aos “sócios do Sudeste asiático” sejam aproveitadas da melhor maneira. Segundo nota publicada recentemente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos comunicou que, por orientação da Casa Branca, suspenderá por 60 dias a autorização para a importação de limões da Argentina. Tal permissão havia sido aprovada em 23 de dezembro, após longa negociação com o governo Obama (ver Boletim de Notícias).

 

Com vistas a fortalecer a integração regional nesse contexto, Argentina e Brasil realizaram, em 30 de janeiro, a III Reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio. De acordo com o ministro Marcos Pereira, essa frente de ação é necessária em “um momento em que o mundo assiste ao retorno do protecionismo”. No Mercosul, a aproximação entre Argentina e Brasil gera questões sobre a abordagem que será buscada pelos países. Nesse quesito, os vizinhos reafirmam o interesse em relançar um Mercosul “mais pragmático e menos político”.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

El País. México y la UE aceleran su diálogo comercial en respuesta al proteccionismo de Trump. (01/02/2017). Acesso em: 03/02/2017.

 

El País. Primeiro efeito Trump na Argentina: exportações de limão aos EUA são paralisadas. (23/01/2017). Acesso em: 02/02/2017.

 

La Capital. Argentina y Brasil arman su estrategia para la Era Trump. (01/02/2017). Acesso em: 02/02/2017.

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