A sustentabilidade em disputa

10 Abril 2017

Faz sentido almejar que uma sociedade estabeleça objetivos irrenunciáveis de longo prazo? Ou, adotando um individualismo exacerbado, deveríamos deixar que a interação diária entre milhões de indivíduos molde progressivamente nosso entorno? Tais perguntas revelam extremos de um complexo debate. Por um lado, não existe ação coletiva sem finalidade. No entanto, engana-se quem prevê uma trajetória linear entre a definição e a materialização de uma meta. A existência de prioridades não implica necessariamente um consenso sobre a melhor forma de obter ou avaliar resultados.

 

No âmbito multilateral, metas nunca foram tão importantes. Diante da resiliência de noções como “soberania”, objetivos comuns facilitam a convergência de expectativas. No curto prazo, o foco no desfecho desvia as atenções de perguntas incômodas, como a viabilidade de uma negociação entre partes dotadas de considerável heterogeneidade. Da mesma forma, a abordagem legitima as diversas estratégias adotadas para a consecução de um dado fim. Afinal, o compartilhamento de uma mesma crença relativizaria eventuais desvios nos caminhos adotados para sua materialização.

 

Não que a operacionalização de uma meta seja fácil. O exemplo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ilustra tais dificuldades. Embora poucos se oponham a princípios como “consumo e produção responsáveis”, são muitas as controvérsias quanto à forma mais efetiva de mensurar resultados. Contrastando com a proliferação de distintas opiniões sobre o tema, a escassez de dados confiáveis complica ainda mais a tarefa. Tendo em vista as variadas abordagens sugeridas para a consecução dos ODS, como garantir que a futura coleta de informações não sirva para legitimar os promotores de uma estratégia específica?

 

O presente número do Pontes apresenta a você, prezado(a) leitor(a), artigos que dissecam o complexo processo de operacionalização dos ODS. Conforme mostram as páginas a seguir, por trás das ambiciosas metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), são inúmeros os dilemas de ordem conceitual e empírica. O tempo urge: não poderemos nos dar ao luxo de definir metodologias antes de receitar estratégias para a consecução dos ODS. Daí a importância de um debate honesto, em que reconheçamos a multifacetada natureza de uma noção como a de “desenvolvimento sustentável”.

 

Sua opinião nos interessa enormemente. Caso tenha interesse em compartilhar o que pensa conosco, prezado(a) leitor(a), poderá deixar um comentário em nosso siteou escrever um e-mail à nossa equipe.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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