Abertura de dados do BNDES lança nova luz sobre comércio exterior brasileiro

10 Junho 2015

O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou a divulgação de suas estatísticas operacionais. Por meio de uma nova página, a instituição publicou, de maneira retroativa, informações sobre os desembolsos referentes aos financiamentos de obras no exterior, apoio à exportação e desenvolvimento de projetos no Brasil. Para os programas de exportação, por exemplo, é possível consultar dados a partir de 1996. Além de uma resposta à pressão política por mais transparência, a iniciativa do BNDES permite qualificar os fluxos de investimento brasileiro direto (IBD), bem como as características de internacionalização da empresa nacional.

 

De acordo com as informações publicadas, a cada US$ 100 que o Brasil exportou em serviços de engenharia entre 2007 e 2014, cerca de US$ 23 foram financiados pelo BNDES. Os principais destinos desse montante foram Angola, Argentina e Venezuela. Quanto às empresas, a Construtora Norberto Odebrecht foi responsável pela utilização de 60% desses financiamentos, seguida pela Andrade Gutierrez, com 22,5%. Em 2014, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões em “Serviços de engenharia, arquitetura, P&D e assistência técnica”.

 

Por sua vez, o BNDES direcionou em média US$ 2 bilhões anuais para programas de incentivo à exportação entre 1998 e 2014. Trata-se de um valor relativamente baixo, uma vez que as exportações brasileiras estão próximas a US$ 250 bilhões por ano. A indústria de transformação é a que mais utiliza o mecanismo, especialmente os setores de máquinas e equipamentos, automotivo e equipamentos de transportes. Coincidentemente, os principais destinos das exportações financiadas pelo BNDES, nesse período, foram Estados Unidos (42%) e Argentina (11%), importantes consumidores do produto manufaturado brasileiro.

 

A abertura dos dados do BNDES mostra que o Brasil é um parceiro importante no desenvolvimento da infraestrutura da América Latina e da África, uma condição que pode se alterar significativamente no médio prazo, devido principalmente ao estreitamento das relações brasileiras com a China. A adesão do Brasil ao Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB, sigla em inglês) pode facilitar a participação de empresas em grandes obras naquele continente. Por outro lado, os recentes acordos da China com parceiros regionais do Brasil podem relativizar a importância dos recursos do BNDES, principalmente para os membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul).

 

Já o financiamento às exportações é uma das bandeiras de competitividade do setor privado brasileiro, que vive a expectativa da divulgação do Plano Nacional de Exportações (PNE). Porém, é improvável que o governo federal amplie os recursos destinados ao Fundo de Garantia às Exportações (FGE), gerenciado pelo BNDES, o que deve aumentar a alavancagem e o risco da oferta de maiores volumes de crédito ao exportador.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Infomoney. BNDES emprestou US$ 11,9 bi para projetos de empreiteiras no exterior. (03/06/2015). Acesso em: 09 jun. 2015.

 

Valor Econômico. Empréstimo externo do BNDES é concentrado em cinco países. (05/06/2015). Acesso em: 09 jun. 2015.

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