Banco canadense ressalta benefícios do NAFTA e faz recomendações para “atualização” do Acordo

15 Fevereiro 2017

Frente à promessa de Donald Trump de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), o banco canadense Scotiabank publicou um estudo que aponta para os efeitos positivos do bloco sobre a economia de seus membros. Lançado em 10 de fevereiro, o documento também ressalta aspectos a serem considerados frente a uma possível “atualização” do NAFTA. Até o momento, sindicatos dos Estados Unidos mostraram-se favoráveis à renegociação do Acordo, e grupos empresariais manifestaram ferrenha oposição quanto a uma possível saída dos Estados Unidos do bloco.

 

O recente relatório do Scotiabank oferece uma análise positiva dos impactos econômicos do NAFTA na América do Norte. O documento ressalta a progressiva eliminação de barreiras tarifárias e não-tarifárias no âmbito do Acordo, assim como o considerável aumento do comércio e investimento intra-bloco.

 

Em termos de posições de emprego, principal aspecto criticado por Trump em sua campanha, o relatório calcula que 6 milhões de empregos dependem do NAFTA e que, em termos líquidos, 130 mil vagas por ano foram criadas nos Estados Unidos pelo Acordo. Apesar de opiniões contrárias, o relatório considera que os empregos perdidos na indústria de transformação dos Estados Unidos devem ser atribuídos à inovação tecnológica, e não ao NAFTA em si.

 

Ao mesmo tempo, o relatório conclui em favor da possibilidade de “atualizar” o NAFTA de modo mutualmente benéfico para os países integrantes do bloco. O estudo aponta que uma renegociação do NAFTA deve contemplar aspectos não levados em consideração pela versão atual do Acordo, tais como e-commerce, expansão do comércio no setor de serviços e maior proteção de propriedade intelectual. Ainda, o documento considera que o mecanismo de solução de controvérsias do NAFTA pode ser aprimorado no caso de uma renegociação.

 

Frente à determinação do presidente estadunidense em rever o NAFTA (ver Pontes, vol. 12, n. 8), a possibilidade de novas negociações tem sido vocalizada sob a condição de que implique novas oportunidades econômicas. Por exemplo, Carla Hills, representante de Comércio dos Estados Unidos à época em que o NAFTA estava sendo negociado, ressaltou oportunidades no setor de energia e comércio digital.

 

Grupos favoráveis ao NAFTA, como as coalizões empresariais a Business Roundtable e a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (USCC, sigla em inglês), não manifestaram oposição à renegociação do Acordo. Mostraram-se relutantes, contudo, quanto às recentes medidas adotadas por Trump em matéria de política comercial.

 

A mensagem enviada pelo relatório do Scotiabank ao governo estadunidense é clara: caso o acordo venha a ser renegociado, isso deve ser feito de modo a beneficiar o intercâmbio comercial entre todos os países do NAFTA.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Bloomberg. America’s original NAFTA negotiator says Trump can improve deal. (19/01/2017). Acesso em: 14/02/2017.

 

CNN. NAFTA: What it is, and why Trump hates it. (15/11/2016). Acesso em: 14/02/2017.

 

Reuters. US Chamber of Commerce warns against tearing up NAFTA trade deal. (06/02/2017). Acesso em: 14/02/2017.

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