Brasil e China planejam memorando para expandir comércio de serviços

5 Junho 2014

Com o objetivo de melhorar o desempenho do setor de serviços na balança comercial, os governos do Brasil e da China decidiram trabalhar em um Memorando de Entendimento para aumentar o comércio bilateral de serviços. O anúncio foi feito na Reunião Bilateral Brasil-China sobre Comércio Exterior de Serviços, realizada de 31 de maio a 1º de junho, em Beijing (China), paralelamente à Feira Internacional de Pequim sobre Comércio em Serviços.

 

"Brasil e China são parceiros comerciais de grande peso na economia global de bens e mercadorias, com corrente de comércio da ordem de US$ 75 bilhões ao ano. Porém, o setor de serviços contribui ainda de forma subsidiária na relação entre os dois países, com volume de menos de US$ 700 milhões em 2013", destacou Humberto Ribeiro, secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

 

Segundo Ribeiro, os segmentos com potencial de maior crescimento nas trocas bilaterais em serviços são: esportes, tecnologia da informação (TI), audiovisuais, turismo, outsourcing e pesquisa e desenvolvimento (P&D). O memorando pressupõe a participação do setor privado de ambos os países em grupos focais específicos para cada segmento.

 

O último dia da Feira foi dedicado ao Brasil, ocasião em que se destacou a possibilidade de o país oferecer serviços de tecnologia para o setor financeiro chinês. Em finais de maio, o Banco do Brasil abriu sua primeira agência em Xangai, sendo o primeiro banco latino-americano a obter licença para operar no gigante asiático.

 

Embora seja uma potência na exportação de bens, a China apresenta um déficit no comércio de serviços: nos quatro primeiros meses de 2014, esse déficit somou US$ 41,7 bilhões. Por causa da falta de competitividade de suas empresas, o setor de serviços respondeu por apenas 11,5% do total do comércio exterior do país em 2013, em contraste com a média global de cerca de 20%. Em seu esforço para reestruturar a economia, o governo chinês elegeu o setor de serviços como uma prioridade estratégica.

 

Em apresentação feita no 5º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (ENASERV), em 29 de maio, em São Paulo, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, comentou que as exportações brasileiras de serviços cresceram 292% entre 2003 e 2013, percentual muito superior à média mundial (150%). O evento, que reuniu empresários, acadêmicos e representantes de vários órgãos do governo, buscou definir uma agenda para alavancar as exportações de serviços.

 

“Hoje o déficit de serviços da economia brasileira é muito grande, da ordem de US$ 80 bilhões. É daí que atualmente vem o saldo negativo em conta corrente do balanço de pagamentos. Uma forma de diminuir esta diferença é a presença brasileira no exterior”, ressaltou o ministro, citando como exemplo de sucesso a experiência do setor de construção civil, considerado um dos mais competitivos do mundo. Borges declarou que o governo planeja uma política de financiamento dos investimentos brasileiros no exterior, de modo a “ampliar a escala e dar volume para que os sistemas de garantia sejam mais sólidos”.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

MDIC Online. Brasil e China trabalharão em memorando de entendimento sobre comércio bilateral de serviços. (02/06/2014). Acesso em: 3 jun. 2014.

 

______. Brasil é tema de Feira Internacional do Comércio de Serviços. (03/06/2014). Acesso em: 3 jun. 2014.

 

O Estado de S.Paulo. MDIC: comércio de serviços chegará a US$ 5 tri ao ano. (29/05/2014). Acesso em: 3 jun. 2014.

 

People Daily. China’s service sector opening to foreign investment. (30/05/2014). Acesso em: 3 jun. 2014.

 

Portal Brasil. Brasil e China buscam comércio bilateral de serviços. (03/06/2014). Acesso em: 3 jun. 2014.

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