Brasil prepara linha de crédito para exportações à Argentina

6 Fevereiro 2014

A divulgação da balança comercial do Brasil de janeiro de 2014 traz dados que preocupam o governo brasileiro. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações para a Argentina diminuíram 13,7% em relação ao mesmo período de 2013. As importações foram igualmente afetadas, recuando 23,1% no período.

A causa imediata da queda reside na menor venda de produtos industrializados para o país vizinho. A Argentina representa o principal mercado para os manufaturados brasileiros, e nem mesmo as restrições impostas ao comércio exterior pelo governo de Cristina Kirchner desde 2011 foram capazes de atenuar essa dinâmica.

Por trás dos dados desalentadores, um cenário de instabilidade econômica torna o futuro das relações comerciais entre Argentina e Brasil uma incógnita. No momento, existe a certeza de que a desvalorização acentuada do peso argentino em janeiro trará consequências para o intercâmbio bilateral. Há dúvidas, entretanto, sobre a possibilidade de outras oscilações bruscas na taxa cambial do país vizinho.

Diante do cenário instável, o governo brasileiro planeja criar uma linha de crédito especial para financiar a venda de bens e serviços ao mercado argentino. Os detalhes da medida deverão ser anunciados em breve, mas a expectativa é de que até US$ 2 bilhões sejam disponibilizados inicialmente. Antes, porém, são necessários acordos entre as diversas burocracias potencialmente afetadas pela medida – MDIC, Ministério da Fazenda e Ministério das Relações Exteriores – bem como um entendimento com Buenos Aires, exportadores e importadores.

A favor do Brasil existe o fato de que mais de 50% do intercâmbio bilateral é realizado por empresas de grande porte. A medida busca ainda injetar uma dose de confiança entre os agentes econômicos, facilitando o acesso a outras instituições do mercado financeiro. A linha de crédito, que antes de ser disponibilizada precisa do aval do país vizinho, deverá ser “blindada” para que o governo de Cristina Kirchner não use os recursos para outros fins.

A movimentação do governo brasileiro ocorre em um momento marcado por decisões em outra esfera sensível na relação bilateral: as negociações para um acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE). Embora o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, tenha assegurado que a instabilidade econômica na Argentina não prejudicará o envio de uma proposta conjunta pelo bloco sul-americano, cresce o temor de que Buenos Aires resista a apresentar suas preferências. Tendo em vista a viagem planejada por Dilma Rousseff a Bruxelas no final de fevereiro, é reduzido o prazo para que as Partes cheguem a um denominador comum.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

Estado de São Paulo. Comércio com Argentina terá linha de crédito. (01/02/204). Acesso em: 5 fev. 2014.

O Globo. Mercosul e UE: Brasil seguirá com proposta, mesmo sem Argentina. (27/01/2014). Acesso em: 5 fev, 2014.

Valor Econômico. Argentina, maior mercado para produtos manufaturados brasileiros. (17/01/2012). Acesso em: 5 fev. 2014.

______. Crise argentina não prejudicará acordo Mercosul-UE, diz chanceler. (29/01/2014). Acesso em: 5 fev. 2014.

Veja. Transações comerciais entre Brasil e Argentina recuaram em janeiro. (05/02/2014). Acesso em: 5 fev. 2014.

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