BRICS propõe criação de Centro de Pesquisa Agrícola do bloco

28 Setembro 2016

Em 22 e 23 de setembro, ocorreu a Reunião Ministerial de Agricultura e Desenvolvimento Agrário do BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. No encontro, foi proposta a criação de um Centro de Pesquisa Agrícola do BRICS para o desenvolvimento de estudos sobre desenvolvimento, transferência de tecnologia, formação e capacitação e compartilhamento de informação científica sobre agricultura. A reunião encerrou a missão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) na Ásia.

 

O encontro ministerial do bloco concentrou-se em cinco áreas prioritárias de cooperação enfatizadas no Plano de Ação 2012-2016. As áreas de cooperação incluem: i) a criação de um sistema básico de troca de informação agrícola; ii) a estratégia para garantir o acesso da população mais vulnerável a alimentos; iii) a redução do impacto das alterações climáticas sobre segurança alimentar e adaptação da agricultura às mudanças climáticas; iv) o reforço da cooperação em tecnologia e inovação agrícola; e v) o comércio e promoção de investimentos.

 

Para reforçar o conhecimento, a experiência e as capacidades de pesquisa dos países do BRICS em relação à agricultura, foi discutida a criação de um Centro de Pesquisa Agrícola do grupo. A proposta marca a convergência dos membros do BRICS para garantir a segurança alimentar global, como destacado pelo ministro brasileiro, Blairo Maggi.

 

Maggi também destacou a sustentabilidade agrícola brasileira, que conta com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) no desenvolvimento de tecnologia e inovação. A reunião foi realizada na Índia, país que também sediará o encontro de chefes de Estados do BRICS, em 15 de outubro.

 

O encontro ministerial do BRICS encerrou a missão do MAPA à Ásia. Durante 25 dias, a partir do encontro do G-20 na China, uma delegação do MAPA e de representantes de cerca de 40 empresas e entidades do agronegócio brasileiro visitou sete países na região: China, Coreia do Sul, Índia, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã. O objetivo era ampliar o mercado do agronegócio brasileiro, com vistas a elevar de 7% para 10% a participação do Brasil no comércio agrícola mundial.

 

Com as visitas, o Brasil buscou mostrar a qualidade dos produtos brasileiros e que a segurança sanitária do país é uma das melhores do mundo. Como resultado da negociação de acesso a novos mercados, espera-se que a missão gere mais de US$ 1,5 bilhão para o Brasil, principalmente para os setores de açúcar, carnes (bovina, suína e de aves), café, frutas, grãos, madeira, ovos e pescados. Esse montante também inclui a expectativa de investimentos a serem realizados no Brasil em agroindústria, infraestrutura e logística.

 

Existe, ainda, a perspectiva de fechamento de acordos com Mianmar para transferência de tecnologia pela EMBRAPA e da possibilidade da instalação de frigoríficos brasileiros de carnes bovina, suína e aves no país. Também ocorreu passo importante para a liberação da exportação brasileira de carne suína à Índia.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

MAPA. Missão à Ásia pode trazer entre US$ 1,5 e 2 bi ao Brasil em investimentos e novos mercados. (27/09/2016). Acesso em: 27 set. 2016.

 

______. Em reunião do Brics, Blairo defende mais cooperação para garantir a segurança alimentar global. (23/09/2016). Acesso em: 26 set. 2016.

 

The Indian Express.  India to host 6th BRICS agriculture meeting on September 22. (20/09/2016). Acesso em: 26 set. 2016.

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