China e Estados Unidos anunciam acordo climático histórico

19 Novembro 2014

Na última semana, China e Estados Unidos alcançaram um acordo histórico para redução das emissões de gases do efeito estufa. Pelo acordo, a China compromete-se a aumentar para 20% a participação de fontes renováveis em sua matriz energética até 2030. Por sua vez, os Estados Unidos concordaram com uma meta entre 26% e 28% para a redução de suas emissões até 2025. O anúncio conjunto foi realizado pelos presidentes Barack Obama e Xi Jinping, por ocasião da reunião ministerial do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, sigla em inglês), que ocorreu em Beijing (China), entre 8 e 10 de novembro.

 

O plano converge com a advertência do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), que recentemente alertou para a necessidade de uma redução de ao menos 40% no nível atual de emissões para que se evitem transformações climáticas drásticas nos próximos quarenta anos. Além disso, o anúncio reforça um compromisso político das grandes potências com o acordo sobre emissões globais, que será negociado na 21ª Conferência das Partes (COP 21, sigla em inglês), programada para finais de 2015, em Paris.

 

De acordo com o comunicado oficial da Casa Branca, um aspecto relevante do acordo são as iniciativas de cooperação tecnológica para produção de energia limpa e mitigação de outras variáveis das mudanças climáticas. Assim, também no âmbito do acordo, China e Estados Unidos reafirmaram suas parcerias institucionais, como o Grupo de Trabalho para Mudança Climática (CCWG, sigla em inglês) e o Centro de Pesquisa em Energia Limpa (CERC, sigla em inglês). Os dois países concordaram em estender o mandato do CERC por mais cinco anos, renovando o financiamento para as linhas de pesquisa existentes – em especial daquelas relacionadas com o desenvolvimento de alternativas de transporte verde e tecnologias para captura de carbono.

 

Os pontos do acordo são considerados ambiciosos, uma vez que, juntos, China e Estados Unidos respondem por aproximadamente metade dos gases-estufa emitidos no planeta. Pelo lado chinês, o desafio para alcançar a meta passará pela reestruturação física de sua matriz energética, a qual depende em larga medida do carvão mineral. Já o governo estadunidense deverá dobrar o ritmo atual de redução nas emissões para atingir o que anunciou em Beijing.

 

O anúncio do acordo durante um fórum de cooperação econômica e comercial aumenta a dimensão política do gesto. Embora tenham demonstrado sinergia nas questões climáticas, China e Estados Unidos seguem apartados nas negociações comerciais mais relevantes da atualidade, como a Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês). Supostamente, a liderança dos Estados Unidos em tal iniciativa busca recuperar sua influência no continente asiático, frente à crescente importância política e econômica da China nos últimos anos. Porém, em termos financeiros, a relação entre as potências adquire maior complexidade, já que, em junho de 2014, as reservas cambiais da China alcançaram o recorde histórico de US$ 3,93 trilhões – o equivalente a 1,75 vez o produto interno bruto (PIB) do Brasil.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

BBC Brasil. Quatro números-chave do acordo EUA-China para reduzir emissões. (12/11/2014). Acesso em: 18 nov. 2014.

 

Bridges. China, US Clinch Deal to Curb Emissions, Boost Clean Energy. (13/11/2014). Acesso em: 15 nov. 2014.

 

CNN. US and China reach historic climate change deal, vow to cut emissions. (12/11/2014). Acesso em: 13 nov. 2014.

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