Cuba e Estados Unidos ocupam o centro da Cúpula das Américas

15 Abril 2015

A reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos foi o principal tema da VII Cúpula das Américas, realizada em 10 e 11 de abril, na Cidade do Panamá. Na ocasião, o mandatário cubano, Raúl Castro, e o presidente estadunidense, Barack Obama, reuniram-se por pouco mais de uma hora – o primeiro encontro de alto nível entre os dois países em mais de 50 anos. Durante a Cúpula, a participação cubana foi marcada pela busca de diálogo com o empresariado e a promoção de investimentos no país, principalmente nos setores de alimentos e turismo.

 

Após o encontro histórico, o presidente Obama observou que o primeiro passo para a normalização diplomática entre os países é o reestabelecimento das embaixadas em Havana e Washington, respectivamente. Por sua vez, Raúl Castro afirmou que todos os assuntos podem ser negociados, mas ressalvou: “temos que ser pacientes, muito pacientes”. Os presidentes ainda pontuaram os Direitos Humanos e a liberdade de imprensa como possíveis temas prioritários na agenda. Em 14 de abril, Obama encaminhou proposta de remoção de Cuba da lista dos Estados que apoiam o terrorismo. O Congresso estadunidense tem 45 dias para votar a medida.

 

Em sua participação oficial, a presidente Dilma Rousseff elogiou a “iniciativa corajosa” do reestabelecimento das relações entre Cuba e Estados Unidos, que põe fim “a este último vestígio da Guerra Fria na região, que tantos prejuízos nos trouxe”. O Brasil é um dos principais parceiros econômicos de Cuba, com uma corrente comercial de cerca de US$ 630 bilhões e um estoque de investimentos diretos próximo a US$ 1 bilhão.

 

Pelo lado comercial, o ministro do Comércio Exterior de Cuba, Rodrigo Malmierca, afirmou que a inserção internacional se ampliou e que o “fluxo comercial do país triplicou nos últimos dez anos”. Em reunião com empresários durante o evento, Malmierca comentou que Cuba necessita do ingresso de aproximadamente US$ 2,5 bilhões anuais para sustentar a continuidade do “projeto socialista”.

 

Nesse sentido, em março de 2014, a Assembleia cubana aprovou a Lei do Investimento Estrangeiro (Lei No. 118), com o objetivo de estimular um nível de acumulação de capital que permita um crescimento do produto interno a taxas entre 5% e 7% nos próximos anos. A Lei autoriza a participação estrangeira em todos os setores, com exceção daqueles relacionados a educação e saúde pública, bem como, Forças Armadas.

 

A próxima reunião da Cúpula das Américas será em 2018, no Peru.

 

Evento paralelo

 

Em razão da ocorrência da cúpula dos chefes-de-Estado, o Conselho Empresarial da América Latina (CEAL) promoveu o Diálogo Empresarial das Américas, também na capital do Panamá. O evento reuniu aproximadamente 600 empresários, além de associações comerciais e industriais de toda a região. Ao final do encontro, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicou um documento com as principais propostas discutidas ao longo do evento. Entre elas, estão a melhoria da infraestrutura, o fortalecimento do comércio e a maximização do potencial energético dos recursos naturais da região.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

BBC Brasil. Estreante em cúpula, Cuba faz ofensiva a empresários. (10/04/2015). Acesso em: 14 abr. 2015.

 

Cumbre de las Américas. Histórico encuentro bilateral entre los Presidentes Obama y Castro. (11/04/2015). Acesso em: 14 abr. 2015.

 

The Guardian. Cuba seeks foreign investment as it shores up increased diplomatic ties. (10/04/2015). Acesso em: 14 abr. 2015.

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