Davos: Argentina e Aliança do Pacífico destacam-se em diálogos sobre investimentos

27 Janeiro 2016

O Fórum Econômico Mundial, realizado de 21 a 23 de janeiro em Davos (Suíça), teve como tema central a "IV Revolução Industrial" – uma referência aos efeitos da rápida evolução da tecnologia digital. As previsões modestas de crescimento para 2016, entretanto, também constituíram tema recorrente dos debates. No que diz respeito à América Latina, o principal destaque envolveu a participação da Argentina, país que não comparecia ao Fórum há mais de dez anos. Os membros da Aliança do Pacífico, por sua vez, aproveitaram a ocasião para avançar na consolidação do bloco.

 

Em seu discurso, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, moderou o tom pessimista dos cenários para a economia global. Para ela, as mudanças que estão ocorrendo na China podem gerar impactos significativos sobre a economia mundial, principalmente no que toca à perda de terreno da indústria para o setor de serviços, da exportação para o mercado interno e dos investimentos para o consumo. A divergência das políticas monetárias adotadas por grandes atores – como Europa e Japão, de um lado, e Estados Unidos, de outro – constitui outro ponto sensível. Por fim, Lagarde destacou que a queda no preço das commodities e a desaceleração das economias emergentes podem gerar impactos sistêmicos: enquanto China e Índia crescem mais de 6% e 7,5%, respectivamente, Brasil e Rússia têm crescimento negativo.

 

Sobre a participação argentina no Fórum, o presidente do país, Mauricio Macri, declarou que “a Argentina decidiu ocupar seu lugar no cenário global. (...) Precisamos que empresas importantes do mundo financiem e construam estradas, portos, hidrovias, energia, trens. Somos um país enorme, que atualmente depende apenas de caminhões”. Assim, Macri defendeu um ganho potencial de US$ 20 bilhões em investimento estrangeiro em diversos setores.

 

Macri e o vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, reuniram-se para buscar melhorias no relacionamento dos países e uma possível visita de Barack Obama à Argentina em 2016. O presidente argentino afirmou que trabalhará com o novo presidente dos Estados Unidos, sendo este republicano ou democrata.

 

Já os países da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) estão delineando uma  estratégia conjunta para divulgar os benefícios de realizar negócios com o grupo. Em reunião entre representantes do bloco durante o Fórum em Davos, o ministro de Economia e Finanças do Peru, Alonso Segura, afirmou que a Aliança do Pacífico tem atraído mais parceiros que negociações individuais. Ainda, o ministro acredita que o bloco tem gerado muitas expectativas face ao momento complicado da economia brasileira. Contudo, cabe destacar que alguns empresários estrangeiros acreditam que a desvalorização do Real pode gerar um quadro favorável para investimentos no Brasil.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

La Razón. Davos: Mucha expectativa generó Alianza del Pacífico. (24/01/2016). Acesso em: 25 jan. 2016.

 

Valor Econômico. Resumo de Davos: este ano será difícil, mas há exagero no pessimismo. (25/01/2016). Acesso em: 25 jan. 2016.

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