De volta para o futuro?

15 Setembro 2016

A busca pelo “futuro” sempre foi um dos estímulos fundamentais para a transformação social na América Latina. Desde o início do século XIX, inúmeros projetos intelectuais inspirados no anseio em atingir a “modernidade” constituíram a trajetória da região. Diante das dificuldades, quantas vezes não optamos por mudar o rumo? Seja por falta de resultados ou de paciência, a descontinuidade coloca-se como um traço marcante na América Latina.

 

Predispostos à mudança, cobiçamos o “novo” com um otimismo que contrasta com nossa desconfiança em relação aos projetos do passado. Não raramente, fomentamos uma espécie de “destruição criativa” às avessas. Ao invés de esperarmos que a competição entre distintos arcabouços institucionais determine as regras mais adequadas para lidar com os problemas do momento, escolhemos vencedores e perdedores de antemão. Consequentemente, deixamos de testar os limites de muitas ideias engenhosas concebidas na América Latina. 

 

Em um momento de críticas generalizadas ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), abundam os defensores de uma nova ordem. Por exemplo, é crescente o interesse na Aliança do Pacífico, tida como um arranjo mais “moderno” – e, portanto, alinhado com os desafios atuais. Porém, sabemos quais são as características desse projeto? De que maneira o estabelecimento de um novo modelo de interdependência econômica na América Latina contribui para a resolução de nossos problemas históricos? Estamos diante de um jogo de soma-zero, em que a emergência de uma nova prioridade implica o abandono de iniciativas prévias?

 

O presente número do Pontes oferece a você, prezado(a) leitor(a), textos que nos permitem entender melhor as características da Aliança do Pacífico. Ademais, queremos motivar um debate que considere os variados custos e benefícios de uma guinada estratégica. Caso queiramos ir além das promessas de transformação instantânea, precisamos aprofundar os esforços descritivos de cada uma das ferramentas institucionais disponíveis. Se a mudança é uma necessidade, estejamos atentos: afinal, ideias candidatas ao abandono são a versão desgastada de nossos mais ambiciosos projetos do passado.

 

Queremos que você, prezado(a) leitor(a), participe ativamente do debate. Seja comentando em nosso siteou escrevendo um e-mail à nossa equipe, você contribuirá para que sigamos oferecendo um conteúdo alinhado a seus interesses.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

This article is published under
22 Maio 2017
Ao analisar o impacto da integração da América Latina às cadeias globais de valor sobre a competitividade das empresas da região, os autores argumentam que a harmonização de determinadas regras e medidas e a implementação total do TFA são cruciais nesse processo, na medida em que permitem reduzir substancialmente os custos de comércio.
Share: 
22 Maio 2017
Em um cenário de baixo crescimento da economia e do comércio global, a OMC comemora a entrada em vigor do primeiro acordo multilateral desde a criação da Organização. Em meio ao entusiasmo com essa vitória importante, a OMC enfrentará os desafios dos discursos sobre protecionismo e “desglobalização”, atualmente liderados por Donald Trump.
Share: