Em Buenos Aires, Serra defende "flexibilidade" ao Mercosul

27 Maio 2016

Em visita à Argentina em 23 de maio, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, defendeu reformas no Mercado Comum do Sul (Mercosul). Em suas palavras, o bloco deve permitir "negociações mais flexíveis", oferecendo a possibilidade de assinatura de acordos bilaterais de comércio com outros países. O chanceler argumentou que consensos podem ser obtidos mais rapidamente com as mudanças. Por fim, Serra discutiu a possibilidade de uma mediação conjunta Argentina-Brasil para a atual crise enfrentada pela Venezuela.

 

Perguntado sobre o andamento das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia (UE), Serra optou pela cautela. Em sua visão, não devem ocorrer momentos "cruciais" nos próximos seis meses. De fato, antes de avanços, o chanceler terá que lidar com a insatisfação de setores influentes. Em comunicado recente, a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) considerou a oferta inicial "absolutamente frustrante", por deixar de fora setores como carne e etanol.

 

Ainda em Buenos Aires, a ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, sublinhou a posição oficial da Casa Rosada de que o afastamento da presidente Dilma Rousseff seguiu estritamente a Constituição do Brasil. Esse movimento reflete a sintonia entre ambas as administrações, o que foi reforçado pela assinatura de um Memorando de Entendimento para a criação de um Mecanismo de Coordenação Política. O documento prevê a realização de ao menos duas reuniões bilaterais por ano, em locais alternados, para o "intercâmbio de opiniões" em áreas como ciência, tecnologia e inovação, comércio, defesa, energia e indústria aeronáutica.

 

Finalmente, Serra encontrou-se com o presidente da Argentina Mauricio Macri e com o ministro da Fazenda e Finanças Públicas do país, Alfonso Prat-Gay. Em ambos os lados da fronteira, existe preocupação pela redução do intercâmbio bilateral em mais de 40% desde o início da década. O tema comercial ilustra a complexidade das relações de interdependência entre ambos os Estados. Por um lado,  a recessão no Brasil – e seus efeitos diretos sobre o consumo – tem contribuído para o aprofundamento do déficit comercial argentino. Por outro lado, analistas e políticos acreditam que a a crise econômica e política ajudaria a Argentina a atrair investimentos em busca de um destino menos instável.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

El País. El canciller de Temer logra en Buenos Aires el apoyo de Mauricio Macri. (24/05/2016). Acesso em: 26 mai. 2016.

 

Estado de São Paulo. Queda de 42% no comércio entre Brasil e Argentina desafia Serra. (23/05/2016). Acesso em: 26 mai. 2016.

 

Globo. Na Argentina, Serra defende negociações 'flexíveis' no Mercosul. (26/05/2016). Acesso em: 26 mai. 2016.

 

Miami Herald. Argentina and Brazil agree to mediate in Venezuela crisis. (23/05/2016). Acesso em: 26 mai. 2016.

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