Em defesa do livre comércio?

18 Outubro 2016

Em meio a protestos contra a violência policial e a insatisfações com os rumos da economia, os Estados Unidos escolherão um novo presidente em 8 de novembro. Contabilizados os votos, seguirá a busca por unidade em diversas esferas da política pública – entre elas, a comercial. Mesmo um voto pela manutenção do Partido Democrata na Casa Branca implicará novas diretrizes nessa seara.

 

Enquanto os eleitores estadunidenses definem o futuro, o mundo aguarda ansioso. Devido à sua dimensão, a economia dos Estados Unidos emitirá poderosos incentivos tão logo o resultado seja anunciado. Antes de tudo, uma concepção de ordem moldada em Washington sustenta os atuais padrões de competição e cooperação no sistema internacional. Logo, uma ruptura com concepções até então predominantes significaria o esvaziamento de boa parte das instituições que atualmente facilitam o diálogo entre Estados.

 

Na área comercial, a crença na necessidade de avanços constantes potencializa a incerteza. Como oferecer resultados quando a interpretação de "êxito" está em processo de mutação? Vivemos tempos em que a precariedade da via multilateral se soma às críticas em direção a alternativas como os acordos bilaterais e megarregionais. Desprovidos de parâmetros, é considerável o espaço para revisionismos e, dentro desse quadro, para a "criatividade". Levará algum tempo até que analistas possam identificar a real consequência do crescimento da aversão à liberalização comercial nos Estados Unidos. De qualquer maneira, a atual campanha eleitorial estadunidense ilustra verdadeiros experimentos retóricos.

 

O presente número do Pontes oferece a você, prezado(a) leitor(a), uma discussão sobre a influência das eleições estadunidenses no futuro do comércio internacional. Nas páginas a seguir, apresentamos reflexões sobre a natureza das relações bilaterais entre a Casa Branca e países emergentes como Brasil, China e México. Ademais, publicamos contribuições que ajudam a desvendar dois aspectos fundamentais da atual política comercial dos Estados Unidos: i) os mecanismos pelos quais produtores agrícolas influenciam as posições adotadas por Washington; e ii) os efeitos trazidos pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês).

 

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A Equipe Pontes

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