Em visita à América do Sul, Azevêdo avalia relações de Argentina e Brasil com a OMC

31 Março 2016

O Brasil ratificou o Acordo de Facilitação do Comércio (TFA, sigla em inglês) em 29 de março e tornou-se o 72º membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) a fazê-lo. A cerimônia de assinatura do instrumento contou com a presença do diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, para quem a iniciativa sinaliza a intenção do Brasil de "modernizar-se", buscando maior inserção no comércio internacional. O diplomata brasileiro estima que, uma vez garantidas as 135 ratificações necessárias para a entrada em vigor do acordo, cerca de US$ 1 trilhão será adicionado anualmente aos fluxos mundiais de intercâmbio.  

 

Azevêdo aproveitou a visita para defender a importância do sistema multilateral do comércio para o desenvolvimento econômico do Brasil. Em artigo publicado no jornal Estado de São Paulo, o diplomata sublinhou o potencial de desburocratização do TFA, que pode levar a uma redução de custos de exportação de quase 15%. Cabe ressaltar que a conclusão do referido acordo, na Conferência Ministerial de Bali, em 2013, constituiu a primeira vitória de Azevêdo no comando da OMC (ver Pontes Boletim de Bali). Não por acaso, sua ofensiva diplomática busca acelerar seu processo de entrada em vigor.

 

Em sua visita ao Brasil, o diretor-geral da OMC também comentou a situação política do país: para o diplomata, "quanto mais rápido o Brasil sair desse momento de turbulência e instabilidade, melhor para a economia e para o país de uma maneira geral". Cuidadoso com as palavras, Azevêdo reconheceu as dificuldades inerentes a qualquer avaliação do grau de interferência entre conflitos no cenário político e a trajetória de desenvolvimento nacional. Contudo, lembrou que "a economia de qualquer país não existe no vácuo" e avaliou que a redução da incerteza contribuiria para a retomada do crescimento econômico.

 

Antes de desembarcar no Brasil, Azevêdo visitou a Argentina. Em Buenos Aires, o diretor-geral da OMC encontrou-se com a chanceler, Susana Malcorra, e com o chefe de Gabinete, Marcos Peña. O diplomata elogiou a nova liderança política e destacou a transição como uma oportunidade para a afirmação de "ideias novas e maneiras distintas de ver as possibilidades de avanços na área comercial e econômica". Em sua avaliação, o relacionamento com o governo argentino desde a ascensão de Mauricio Macri tem sido "harmonioso". A passagem pelo país ficou marcada, finalmente, pela participação em um debate organizado pela Câmara de Exportadores da República Argentina (CERA, sigla em espanhol) e por uma reunião com o presidente da Sociedade Rural Argentina, Luis Etchevehere. 

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Clarín. El titular de la OMC analiza las claves para las exportaciones argentinas. (22/03/2016). Acesso em: 29 mar. 2016.

 

Estado de São Paulo. Roberto Azêvedo: vitória para o agronegócio do Brasil. (26/03/2016). Acesso em: 30 mar. 2016.

 

Folha de São Paulo. Brasil precisa enfrentar crise para reparar economia, diz diretor da OMC. (29/03/2016). Acesso em: 30 mar. 2016.

 

MercoPress. Jefe de OMC visita Argentina para alabar a Macri: un momento de grandes oportunidades. (23/03/2016). Acesso em: 29 mar. 2016.

 

Portal Brasil. Dilma assina acordo com a OMC; medida reduz custos de transações em 14,5%. (29/03/2016). Acesso em: 30 mar. 2016.

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