Globalização e seus limites

18 Dezembro 2014

Poucos termos foram mais usados nas últimas três décadas que "globalização". Devido à capacidade de resumir complexos processos nessa única palavra, boa parte das transformações observadas no relacionamento entre sociedades é explicada por argumentos que, de alguma forma, empregam o referido termo. Curiosamente, no entanto, a onipresença da palavra "globalização" nas descrições do mundo contemporâneo é o principal esvaziador de seu conteúdo concreto. Entender a realidade da qual participamos, ou ao menos formular uma interpretação consistente para alguns de seus aspectos mais óbvios, exige a abertura dessa verdadeira "caixa preta" representada pelo termo.

 

Se analisar a "globalização" significa oferecer explicações aos processos que constituem essa palavra, também se coloca como fundamental indagar sobre os limites dela. Excelente exemplo é encontrado na mobilidade de seres humanos, uma das grandes demonstrações de nossa capacidade de expandir, cada vez mais, a escala de nossas interações. De que maneira a tal "globalização" ajuda a explicar o movimento de indivíduos ao redor do planeta? Qual a relação entre comércio e mobilidade de pessoas? Qual o papel de processos como a integração regional e a liberalização comercial na criação de facilidades ou dificuldades à migração?

 

O presente número do Pontes busca auxiliar você, prezado(a) leitor(a), a responder essas e outras perguntas. E, mais importante, a entender cada vez melhor aquilo que existe dentro das inúmeras "caixas pretas" que caracterizam a época em que vivemos.

 

O último Pontes do ano também abre espaço para análises sobre uma questão fundamental: as relações entre Argentina e Brasil, debate em que nos aprofundaremos em 2015. Percepção compartilhada em ambos os lados da fronteira considera que tal enredo, marcado inicialmente pelo otimismo, tem se desenvolvido em um estado de apatia mútua. Nas páginas que se seguem, possíveis explicações para tal desfecho são apresentadas, assim como as razões para que o Mercosul – projeto avaliado como promissor há mais de 20 anos – corra hoje o risco de ser descaracterizado.   

 

Dezembro é um mês de celebrações, mas também de introspecção e reconhecimento. Sendo assim, gostaríamos de agradecer você, prezado(a) leitor(a), pela companhia em 2014. Queremos, ademais, convidá-lo a participar ativamente da construção de nossa publicação, seja escrevendo-nos um e-mail, ou deixando um comentário no site do Pontes. Esperamos que, em 2015, o Pontes siga fazendo parte de suas leituras ou, quem sabe, que você publique suas ideias!

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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