IED cresce na América Latina e no Caribe, mas de forma desigual

10 Julho 2014

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) destinado à América Latina e ao Caribe cresceu 6% em 2013, alcançando US$ 182 bilhões. No entanto, o fluxo de IED entre as subregiões e os países foi marcadamente desigual. Tal diagnóstico resulta do Relatório de Investimento Global 2014, que acaba de ser publicado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês).

 

Após três anos consecutivos de forte crescimento do IED na América do Sul, em 2013 a região recebeu US$ 133 bilhões em investimentos, volume 6% menor que aquele registrado no ano anterior. Em contraste, a América Central observou um aumento de 64% no fluxo de IED, alcançando US$ 49 bilhões.

 

Principal destino do IED na América Latina em 2013 (US$ 64 bilhões), o Brasil registrou um declínio de 2% em relação a 2012 e caiu da quarta para a quinta posição no ranking de entrada de investimentos da UNCTAD. De acordo com o relatório, o destino desses investimentos foi bastante desigual: para o setor primário, por exemplo, cresceu 86% e somou US$ 17 bilhões, impulsionado principalmente pelo segmento de extração de petróleo e gás, o qual respondeu por US$ 11 bilhões. Por outro lado, os investimentos para os setores de manufatura e serviços caíram 17% e 14%, respectivamente. A exceção no setor manufatureiro ocorreu no segmento automotivo, que registrou um aumento de 85% no investimento; e eletrônico, que viu um crescimento de 120%.

 

Outros países sul-americanos também registraram uma acentuada redução no fluxo de investimentos, como reflexo principalmente da queda dos preços dos metais não-ferrosos. Com a queda dos investimentos destinados ao setor de mineração, o Chile caiu sete colocações no ranking mundial de IED, para a 17ª colocação, com um total de US$ 20 bilhões (-29%). A Argentina recebeu US$ 9 bilhões, um declínio de 25% em relação a 2012; e o Peru, US$ 10 bilhões, montante 17% inferior a 2012. Na contramão da região, Colômbia e Venezuela: no primeiro país, o fluxo de IED cresceu 8%; no segundo, 119%.

 

A América Central e o México, por outro lado, atraíram um volume maior de investimentos em 2013. O IED para o México, calculado em US$ 38 bilhões, correspondeu ao dobro do montante recebido em 2012. Em grande medida, isso pode ser explicado pela compra das ações remanescentes do Grupo Modelo pela cervejaria AB Inbev – em uma operação de US$ 18 bilhões. O Panamá registrou um aumento de 61% no fluxo de IED; e a Costa Rica, de 14%.

 

De modo geral, tanto na América Latina como no Caribe, o fluxo de IED teve como principal destino o setor de serviços. A relevância deste resulta das privatizações e da eliminação das restrições ao investimento estrangeiro, que ocorreram nos últimos 20 anos. Embora o setor primário seja relativamente importante nessas regiões, responde por uma parcela marginal dos investimentos recebidos. Em relação às duas maiores economias da América Latina – Brasil e México –, o fluxo de IED é impulsionado por estratégias diferentes: os investimentos destinados ao México são orientados às exportações, enquanto os do Brasil têm como foco o mercado interno.

 

Segundo o relatório da UNCTAD, as perspectivas para o fluxo de IED da região são bastante promissoras, principalmente nos setores de petróleo e gás, com destaque para Argentina e México.

 

Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Puentes – 07 jul. 2014.

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