Incerteza e planos para o futuro marcam comércio exterior brasileiro

14 Fevereiro 2014

Nem só de más notícias vive o comércio exterior brasileiro. Em 2013, o setor de carnes experimentou um crescimento de 6,59% nas vendas a outros mercados, atingindo US$ 16,27 bilhões. Para o futuro, funcionários do governo e representantes da indústria acreditam na possibilidade de exportações ainda maiores, acrescentando US$ 2 bilhões a esse dado. Buscando o estabelecimento de uma estratégia para aumentar as vendas de carne brasileira ao exterior, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ricardo Schaefer, reuniu-se com membros das principais organizações de representação dos distintos segmentos do setor em 11 de fevereiro.

Entre os representantes da indústria, há a percepção de que os mercados dos países africanos e asiáticos são os mais promissores. Existe, ademais, o desejo de utilizar a Copa do Mundo de Futebol no Brasil para promover a imagem da carne brasileira. A fim de traduzir tais anseios em ações, duas iniciativas principais foram anunciadas. Os empresários empreenderão uma campanha de marketing, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com vistas a informar os turistas sobre a qualidade do produto nacional. Por sua vez, o governo sugeriu o estabelecimento de uma agenda conjunta de competitividade. Maior coordenação entre o governo e o setor privado será obtida, na visão dos presentes, com a devida integração da política industrial, comercial e de promoção às exportações.

Competitividade, por sinal, é a palavra do momento em diversos setores vinculados ao comércio exterior. Segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, questões como o câmbio e a crise econômica argentina deverão trazer “grandes emoções” para os exportadores brasileiros. Por um lado, existe o desejo de que o real se desvalorize mais, o que representantes do setor consideram uma saída para a melhora das estatísticas de comércio exterior. Por outro lado, o desaquecimento no mercado da Argentina traz problemas que vão além de questões de política cambial. É provável que o governo de Cristina Kirchner, ávido por dólares para garantir a compra de insumos básicos para o país (combustíveis, por exemplo), restrinja ainda mais as importações a fim de terminar o ano com um superávit comercial palpável.

A situação da Argentina encoraja uma série de questões por parte da comunidade de comércio do Brasil. Parceira preferencial nas últimas duas décadas, a Argentina é também uma das principais compradoras de manufaturas brasileiras. Pesquisadores e empresários temem que o mau momento vivido pela Argentina provoque não apenas a redução das exportações no curto prazo, como também a perda de mercados no futuro: as empresas chinesas poderiam ocupar um espaço hoje preenchido por grupos baseados no Brasil. A crise atual também lança luz sobre a crescente concentração do comércio exterior: o Brasil exporta cada vez maiores quantidades de um mesmo produto para apenas um país. Com isso, o Brasil torna-se mais suscetível a ciclos econômicos, seja porque nossos parceiros passam por dificuldades – a Argentina é o melhor exemplo –, seja porque um determinado mercado sofre com baixas cotações – algo que ocorre com as commodities, em geral.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

Estado de São Paulo. Competitividade baixa pode prejudicar comércio exterior. (11/02/2014). Acesso em: 13 fev. 2014.

MDIC Online. Schaefer discute estratégia para aumentar exportações de carnes em US$ 2 bilhões. (11/02/2014). Acesso em: 13 fev. 2014.

Valor Econômico. Exportação a principais parceiros comerciais fica mais concentrada. (13/02/2014). Acesso em: 13 fev. 2014.

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