Membros da OCDE pressionam por reformas no setor siderúrgico da China

22 Abril 2016

Alvo de uma série de controvérsias nos últimos anos, o mercado internacional do aço seguirá ocupando as atenções por um bom tempo. Ao menos essa é a percepção após a divulgação dos resultados colhidos pelo Encontro de Alto Nível sobre o setor, realizado em 18 de abril. Pressionados pelo excesso de oferta e pelo uso crescente de mecanismos de defesa comercial, representantes de países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e convidados discutiram, em Bruxelas (Bélgica), o  futuro da indústria do aço.

 

Era evidente a ansiedade por soluções concretas diante de uma questão de "vida ou morte" para dezenas de empresas, segundo os termos da comissária de Comércio da União Europeia (UE), Cecilia Malmström. Aos participantes do encontro, porém, restaram as promessas de manutenção do debate e um provável fortalecimento dos canais de comunicação. A próxima reunião do grupo, prevista para setembro, deve coincidir com o estabelecimento de uma plataforma para um diálogo global sobre a situação do mercado internacional do aço.

 

Até lá, é provável que o desentendimento prevaleça. O representante dos Estados Unidos para o Comércio (USTR, sigla em inglês), Michael Froman, e a secretária de Comércio, Penny Pritzker, creditam a atual crise à expansão desenfreada da oferta chinesa de aço. Segundo dados apresentados por Washington no início de abril, o crescimento da produção na China contribuiu decisivamente para um aumento de mais de 100% no excedente do produto entre 2000 e 2014. Diplomatas europeus compartilham o descontentamento com Beijing e acusam as empresas chinesas de praticarem dumping em suas vendas aos países do bloco.

 

Para o futuro, Estados Unidos, UE e outros afetados pela atual situação aguardam uma revisão nas políticas de apoio à siderurgia chinesa. Mais especificamente, documento divulgado em 18 de abril sugere o fim dos subsídios que, acredita-se, não apenas garantem a sobrevivência de empresas ineficientes como incentivam mais investimentos no setor. Não será fácil convencer Beijing, entretanto. Responsável por mais de 50% da produção mundial, o país considera já ter feito "mais do que o suficiente" para conter a crise. Conforme enfatizado pelo porta-voz do Ministério do Comércio da China, Shen Danyang em Bruxelas, se o desequilíbrio permanece, é por culpa do desaquecimento da demanda, e não por uma oferta exagerada.

 

Em meio à polêmica, o Brasil busca afirmar a imagem de um país livre de subsídios à siderurgia. Enfrentando uma grave recessão no país, as empresas brasileiras buscam a remoção das barreiras recentemente impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro. Como parte da estratégia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, tenta convencer o governo estadunidense de que a indústria brasileira não conta com apoios distorcivos à sua atividade. Trata-se de uma missão difícil, ainda mais tendo em vista as previsões futuras: espera-se que, até 2018, a capacidade produtiva da China cresça mais de 100 milhões de toneladas, aprofundando o mau humor de muitos dos participantes do setor.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Bridges Weekly. At Brussels meet, countries spar over steel crisis' causes, solutions. (21/04/2016). Acesso em: 21 abr. 2016.

 

O Globo. Brasil corteja Estados Unidos em meio à guerra pelo aço. (20/04/2016). Acesso em: 21 abr. 2016.

 

Reuters. As global steel crisis grips, China says March output was a record. (19/04/2016). Acesso em: 21 abr. 2016.

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