Mercosul e UE trocam ofertas para acordo de livre comércio

12 Maio 2016

Funcionários ligados ao Mercado Comum do Sul (Mercosul) e à União Europeia (UE) trocaram ofertas em 11 de maio. O primeiro intercâmbio de propostas desde 2004 foi anunciado com otimismo em ambos os lados do Oceano Atlântico. Em seu Twitter, a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, celebrou o ato, dando importância econômica, política e cultural a um eventual acordo. Já a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, usou a rede social para sublinhar a relevância daquilo que considera ser um "muito importante e necessário primeiro passo" para um consenso satisfatório.

 

Porém, mesmo as escassas palavras dos comunicados oficiais trazem elementos que inspiram cautela. Texto conjunto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil reafirma o "pleno comprometimento" das partes, além de salientar a perspectiva de "importantes ganhos econômicos e políticos" em caso de assinatura de um acordo "abrangente, ambicioso e equilibrado". Os mesmos adjetivos para um eventual consenso seriam utilizados pelo governo do Uruguai, o atual ocupante da Presidência Pro Tempore do Mercosul, refletindo a percepção de que um consenso eventualmente exigirá sacrifícios.

 

Termos como "abrangente", "ambicioso" e "equilibrado" deverão ser repetidos no encontro previsto para discussão das propostas, em julho. Em Montevidéu, representantes do Mercosul certamente buscarão respostas para a exclusão de setores como o da carne bovina e o do etanol da oferta apresentada pela UE. Embora detalhes do documento ainda sejam desconhecidos, fontes ligadas às negociações apontaram tais exemplos para ilustrar o fato de os países sul-americanos não estarem "totalmente satisfeitos" com a proposta.

 

Caso a exclusão de produtos agrícolas prioritários para o Mercosul seja confirmada, a decisão representará uma vitória para grupos de pressão ligados à agricultura europeia. Nos últimos meses, sindicatos e políticos ligados ao setor exigiram que a UE evitasse quaisquer compromissos em setores como o da carne bovina (ver Boletim de Notícias Pontes). Em resposta às queixas, o comissário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do bloco europeu, Phil Hogan, argumentou que os países sul-americanos "deveriam moderar suas expectativas de acordo tendo em vista o que é administrável e aceitável pela UE" (ver Boletim de Notícias Pontes). Resta saber qual é a flexibilidade das ofertas apresentadas em 11 de maio.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Agência Brasil. Mercosul e União Europeia trocam ofertas para acordo em Bruxelas. (11/5/2016). Acesso em: 12 mai. 2016.

 

Folha de São Paulo. UE exclui etanol e carne de oferta de acordo comum com Mercosul. (11/5/2016). Acesso em: 12 mai. 2016.

 

Irish Times. EU bows to pressure and remover beef from Mercosur trade deal. (11/5/2016). Acesso em: 12 mai. 2016.

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