Mercosul pretende apresentar oferta conjunta à UE em junho

1 Junho 2015

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, anunciou que os membros fundadores do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – apresentarão uma oferta única para a União Europeia (UE). O documento será discutido em um evento paralelo à cúpula que reunirá os membros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) com aqueles da UE em Bruxelas, em 10 e 11 de junho. Nessa ocasião, os chanceleres dos quatro países sul-americanos e a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, avaliarão a possibilidade de avanço nas negociações.

 

As declarações foram dadas após uma reunião de mais de três horas entre o chanceler argentino e funcionários do governo brasileiro, ocorrida em Buenos Aires em 29 de maio. Acompanhado de dois ministros brasileiros – o de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro –, Timerman afirmou que os dois países possuem "posições similares". Entre as questões comuns priorizadas, destacam-se a inclusão social, a transferência de tecnologia e a busca por acordos que não levem a desequilíbrios na balança comercial de nenhum de seus membros.

 

Declarações concomitantes vindas de Bruxelas reforçam a opção pelas negociações conjuntas. Em uma videoconferência com jornalistas da América Latina, Christian Leffler salientou a intenção do bloco europeu de chegar a um acordo com o Mercosul, e não com apenas alguns de seus membros. O diplomata sueco, que ocupa o cargo de diretor-geral responsável pelas relações entre as Américas e a UE, lembrou que, para que outras estratégias sejam seriamente consideradas, seria necessário que, antes, os países sul-americanos decidissem abandonar as conversas atualmente em curso.

 

Embora o discurso oficial seja otimista, persiste certa expectativa de que a paralisia traga transformações ao Mercosul. Analistas em Buenos Aires lembram a recente visita de Dilma Rousseff ao México como um indício de que o Brasil se mostra aberto a uma aproximação com os membros da Aliança do Pacífico (ver Boletim de Notícias Pontes). Na Casa Rosada, por outro lado, todas as atenções parecem voltadas às eleições presidenciais e ao posicionamento de Cristina Kirchner no tabuleiro político argentino após a disputa. A presidente tem reforçado a mensagem de que deixa um legado a ser protegido pela população, sendo a crítica ao neoliberalismo um dos principais elementos.

 

Em resumo, serão necessários alguns meses até que fique mais clara a real disposição da Argentina de acompanhar os anseios de outros membros do Mercosul. Em especial, resta saber se o país colaborará, após as eleições presidenciais de 2015, com uma intensificação dos contatos com governos de outros países para o estabelecimento de negociações comerciais (ver Boletim de Notícias Pontes).  

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Buenos Aires Herald. EU: We deal with Mercosur. (29/05/2015). Acesso em: 30 mai. 2015.

 

Clarín. Brasil: ¿marcha sobre los escombros del Mercosur?. (29/05/2015). Acesso em: 30 mai. 2015.

 

El País. Kirchner reivindica seu legado: "Construímos a pátria outra vez". (26/05/2015). Acesso em: 30 mai. 2015.

 

Globo. União Europeia e Mercosul avaliam negociação de acordo comercial. (28/05/2015). Acesso em: 30 mai. 2015.

 

La República. Mercosur llevará posición única a cumbre con la UE. (30/05/2015). Acesso em: 30 mai. 2015.

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