Na OMC, Brasil defende "maior diversificação" no comércio com a China

23 Julho 2016

O Brasil busca uma mudança no padrão da relação comercial com a China. A mensagem foi dada durante a sabatina para discutir o relatório de Revisão da Política Comercial (TPR, sigla em inglês) do país asiático no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o Itamaraty, é necessário corrigir as "assimetrias" e incentivar uma "maior diversificação" do intercâmbio bilateral.

 

A representante do governo brasileiro, Marcia Donner, lembrou que as vendas ao mercado chinês se concentram em poucos setores de commodities, como a soja. As queixas não chegam a ser uma novidade: reproduzem um quadro já persistente no Brasil (ver Boletim de Notícias Pontes).   

 

A delegação brasileira não foi a única a apresentar suas críticas à China. Como de costume, o TPR ofereceu espaço para um intenso debate. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, apontou uma suposta "relutância" de Beijing a levar adiante seu plano de limitação da produção de aço. Na visão de Washington, os representantes chineses têm mudado sua abordagem do problema à medida que se confirma a desaceleração da economia do país (ver Boletim de Notícias Pontes). A exemplo de outros países, o Brasil defende maior coordenação para a redução da oferta mundial do produto.

 

A tensão entre Brasil e China em relação ao aço vai além dos debates em Genebra. Em resposta ao pedido formal de empresas baseadas em seu território, Brasília decidiu investigar as importações de aço plano laminado a quente da China e da Rússia. Responsáveis por mais de 80% da produção nacional do bem no ano passado, a Belgo Bekaert, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Gerdau alegam que a margen de dumping praticada pela China chega a quase 50%.

 

Por sua vez, Beijing exortou o Brasil a abandonar o critério do "país subrogado" para calcular danos causados pela importação de um produto. O mecanismo consiste na utilização dos preços de um terceiro país ou região para estimar a existência de dumping. O governo chinês ainda sublinhou a possibilidade de aprofundamento da comunicação entre as partes no âmbito do BRICS – estratégia que abriria uma via menos conflitiva. Por fim, o país lembrou que a abordagem do "país subrogado" para avaliar potenciais medidas anticompetitivas deverá ser abandonada pelos membros da OMC até dezembro de 2016.

                                                 

Apesar das críticas, o grau de interdependência bilateral diminui a probabilidade de uma escalada retórica no curto prazo. De fato, o governo brasileiro aproveitou a sabatina do TPR para enfatizar a "parceria estratégica" existente entre Beijing e Brasília. Em 2015, o mercado chinês absorveu cerca de 18% das vendas do Brasil ao exterior, representando o principal destino das exportações nacionais.

 

Refletindo o peso do país na balança comercial brasileira, o presidente em exercício do Brasil, Michel Temer, pretende visitar a China em setembro. O evento marcará sua primeira viagem oficial após a votação do impeachment de Dilma Rousseff no Senado. Ademais, Temer planeja comparecer à Cúpula do BRICS na Índia, em outubro. A iniciativa busca estreitar laços com países inicialmente críticos à evolução da crise política em Brasília. No âmbito interno, a decisão lança uma mensagem a grupos que acusam a nova administração de romper abruptamente com a ação exterior das administrações de Lula e Dilma Rousseff. 

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Jornal do Commercio. Brasil quer 'corrigir' relação com a China. (21/07/2016). Acesso em: 21 jul. 2016.

 

O Globo. Brasil inicia investigação de suposto dumping de aço por Rússia e China. (20/07/2016). Acesso em: 21 jul. 2016.

 

Reuters. Brazil's Temer plans BRICS trip after impeachment vote. (05/07/2016). Acesso em: 21 jul. 2016.

 

The BRICS Post. China urges Temer government on anti-dumping probe. (16/07/2016). Acesso em: 21 jul. 2016.

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