OMC: América Latina apresenta distintos níveis de participação em cadeias globais de valor

3 Fevereiro 2016

Disponibilizados no site da Organização Mundial do Comércio (OMC), os perfis estatísticos de 61 membros da instituição ajudam a analisar as formas com que os países têm se inserido nas cadeias globais de valor (CGV). Embora o significado e a mensuração do nível de engajamento nas CGV sejam tópicos abertos ao debate, a divulgação de uma quantidade crescente de dados permite o estabelecimento de hipóteses e o acompanhamento de padrões ao longo do tempo. Até o fim de janeiro de 2016, foram publicados os perfis de seis países latino-americanos no site da OMC: Argentina, Brasil, Costa Rica, Colômbia, Chile e México – os quais apresentam perfis contrastantes nessa área.

 

Com base em dados relativos a 2011, a OMC calculou o índice de participação nas CGV. Considerando a porcentagem de componentes com valor agregado (CVA) nas exportações brutas totais, os países em desenvolvimento (PED) atingiram, em média, um resultado de 48,6%. Entre os integrantes desse grupo, predomina a heterogeneidade. Mais especificamente, enquanto a Argentina chega a 30,5% e o Brasil a 35,2%, Chile e México possuem percentuais bastante superiores – de 51,9% e 46,8% respectivamente. Alinhada com chilenos e mexicanos em torno de uma agenda comercial considerada mais aberta à integração com o mundo (ver Boletim de Notícias Pontes), a Colômbia possui uma porcetagem semelhante àquela apresentada pelo Brasil (37,9%).

 

Uma análise mais detida aos componentes do índice revela importantes aspectos da inserção dos países latino-americanos nas CGV. Chama atenção, por exemplo, a reduzida participação dos insumos externos nas exportações realizadas por Argentina e Brasil. No primeiro caso, o percentual em relação às exportações totais chega a 14,1%, ao passo que, na economia brasileira, apenas 10,7% do total corresponde à importação de insumos para a agregação subsequente de valor. A título de comparação, na China tal número é de 32,1% enquanto nos Estados Unidos é de 15%.

 

De fato, a evolução da participação dos CVA nas exportações brutas desde meados da década de 1990 revela a dependência do Brasil em relação às vendas de matéria-prima ao exterior. Entre 1995 e 2011, talvez a principal mudança no perfil da participação brasileira nas CGV seja a porcentagem crescente de insumos vendidos a países que os reexportam com maior valor agregado. Mais especificamente, os 15,1% correspondentes a tais operações saltou para 24,5% em 2011. Por outro lado, a importação de insumos avançou relativamente pouco no período, partindo de 7,8% em 1995 para atingir os já citados 10,7% cerca de uma década e meia depois.

 

De qualquer forma, a participação brasileira nas CGV avançou no período, atingindo uma taxa anual de crescimento de 14% entre 1995 e 2011. Tal desempenho é superior à média observada entre os PED (13,1%) e entre os países desenvolvidos (8%). Além disso, o Brasil obteve expansão superior àquela da Argentina, cuja evolução anual média de 12,5% a coloca abaixo do padrão em economias com porte semelhante. Em boa medida, tal expansão foi potencializada pelo crescimento do setor minerador brasileiro. O perfil estatístico da OMC mostra a relevância da mineração tanto nas vendas para o exterior quanto seu papel na aquisição de insumos e máquinas para suas atividades.

 

Reportagem Equipe Pontes

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