OMC confirma decisão que reabre mercado dos Estados Unidos à carne argentina

4 Setembro 2015

Após quatorze anos, a Argentina deve voltar a vender carne fresca bovina aos Estados Unidos em breve. A Organização Mundial do Comércio (OMC) confirmou a decisão que exige a abertura do mercado estadunidense às exportações de carne do país sul-americano (ver Bridges Weekly). Funcionários de ambas as Partes consideram que a situação pode ser normalizada até finais de 2015, em uma mudança que, segundo Buenos Aires, pode movimentar até US$ 280 milhões ao ano.

 

A decisão encerra um longo período de queixas por parte do governo argentino. As restrições tiveram início em 2001, quando Washington acusou o então presidente Fernando de la Rúa de tentar esconder um surto de febre aftosa, eventualmente fora de controle, das autoridades sanitárias estrangeiras. Vencida a etapa mais dura da crise econômica que abateu o país, coube às administrações Néstor e Cristina Kirchner buscar, sem êxito, a reabertura do mercado. Diante da negativa dos Estados Unidos, a Casa Rosada decidiu levar o caso ao Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) da OMC em 2012.

 

Declarada livre da febre aftosa desde 2007, a Argentina já vinha exportando para outras nações desenvolvidas. Em 2014, por exemplo, o país obteve o direito de exportar, livre de tarifas, 48.200 toneladas métricas de "carne bovina de alta qualidade" à União Europeia (UE), unindo-se a um limitado grupo de vendedores, composto por Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Uruguai. O próprio governo estadunidense, prevendo a iminente derrota em Genebra, anunciou a liberação sanitária para as compras de carne fresca bovina da Argentina em junho de 2015.

 

A movimentação é acompanhada com atenção por produtores brasileiros, igualmente beneficiados pelo anúncio realizado em junho. Definida a abertura do mercado dos Estados Unidos, esperava-se que os frigoríficos da Argentina e do Brasil obteriam autorização para vender àquele mercado em cerca de dois meses. Manobras no Congresso dos Estados Unidos, entretanto, ameaçam bloquear a iniciativa até 2016. Nesse sentido, a decisão da OMC ofereceria um argumento extra para os defensores da política.

 

Diversos motivos fazem com que a provável abertura seja vista com otimismo por pecuaristas argentinos. O primeiro é trazido pela história recente: após permitir as compras de carne da Argentina no fim de 1998, os Estados Unidos rapidamente alcançaram a segunda posição entre os principais clientes do país. A crise da febre aftosa em 2001, entretanto, acabaria abruptamente com esse intercâmbio crescente. Inspira interesse, ademais, o diferencial de preços ali existente – cerca de 35% em comparação com a realidade local. Finalmente, as quantidades consumidas impressionam: uma vez normalizada a situação, a Argentina competirá por um mercado estimado em 1,5 milhão de toneladas.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Capital News. Exportações de carne brasileira enfrentam problemas nos EUA. (19/08/2015). Acesso em: 02 set. 2015.

 

Exame. OMC permite que Argentina volte a exportar carne aos EUA. (01/09/2015). Acesso em: 02 set. 2015.

 

La Nación. La Argentina podrá exportar carne fresca a EE.UU. luego de 14 años. (30/06/2015). Acesso em: 02 set. 2015.

 

La Vanguardia. OMC ratifica fallo que permite a Argentina volver a exportar carne a EEU. (01/09/2015). Acesso em: 2 set. 2015.

 

Portal Brasil. Brasil exportará mais de 100 mil toneladas de carne bovina para EUA. (29/06/2015). Acesso em: 2 set. 2015.

 

Reuters. USDA takes first step to import fresh beef from Brazil, Argentina. (29/06/2015). Acesso em: 2 set. 2015.

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