Para FMI, protecionismo pode custar até US$ 230 bilhões para empresas de países emergentes

21 Abril 2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI, sigla em inglês) acaba de lançar a edição de 2017 do “Global Financial Stability Report”. O relatório considera que a economia mundial irá crescer mais do que o esperado no ano de 2017, graças ao maior volume de comércio, investimento e produção. O FMI alerta, no entanto, que medidas protecionistas e problemas estruturais fazem com que o “balanço de riscos”, particularmente no médio prazo, ainda esteja enviesado para o lado negativo. O FMI calcula custos de até US$ 230 bilhões associados a um contexto mais restritivo em termos comerciais e financeiros.

 

No World Economic Outlook, o FMI já havia aumentado suas expectativas de crescimento mundial de 3,4% para 3,5% para o ano de 2017. Além disso, calcula que os Estados Unidos crescerão 2,3% este ano. Essa perspectiva é considerada positiva, sendo a primeira vez em seis anos que o FMI reajusta para cima sua previsão de crescimento global. Contudo, o Fundo alerta que a política fiscal expansionista de Donald Trump pode criar pressões inflacionárias e levar o Federal Reserve a elevar taxas de juro mais rapidamente. A valorização do dólar, por sua vez, pode afetar negativamente as economias emergentes. Da mesma forma, o FMI continua preocupado com a dependência de crédito doméstico na China.

 

A despeito da perspectiva de crescimento, o FMI teme que “uma mudança em favor do protecionismo em economias avançadas pode reduzir o crescimento e comércio global, impedir entrada de capitais e afetar a confiança do mercado, com consequências adversas para os mercados emergentes”. Esses custos chegam às economias emergentes por meio de uma cadeia de transmissão de riscos, na qual medidas protecionistas geram demanda negativa e menores receitas externas. Medidas protecionistas também podem resultar em maiores prêmios de risco que, por sua vez, tornam passivos externos mais caros.  

 

Na visão do FMI, menor crescimento e menor fluxo comercial podem aumentar a vulnerabilidade das empresas em países emergentes, da mesma forma que maiores prêmios têm o potencial de aumentar os riscos à sua estabilidade financeira. Países fortemente integrados em termos financeiros e comerciais são particularmente propensos a serem afetados por medidas protecionistas e condições financeiras mais rígidas, que, no agregado, podem elevar o endividamento corporativo em até US$ 230 bilhões.

 

Um dos países mais afetados por esse contexto mais restritivo seria o México. O comércio internacional corresponde a 25% do produto interno bruto (PIB) do país, e 80% de todas as suas exportações têm os Estados Unidos como destino. Outros países que seriam consideravelmente afetados incluem Malásia, Tailândia e Vietnã, cujo valor exportado também corresponde a uma considerável parcela de seu PIB. Do mesmo modo, uma queda nas exportações da China como resultado de medidas comerciais mais restritivas teria reflexos negativos sobre o crescimento do país e sobre a demanda por importações de bens de capital.

 

Recentemente, as ações protecionistas de Donald Trump têm gerado movimentação por parte dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos na América Latina, interessados em diversificar seus laços comerciais e diminuir a dependência estadunidense (ver Boletim de Notícias Pontes). O México tem sido particularmente ativo nesse sentido, como ilustra o recente e inédito acordo com o Brasil para a comercialização de arroz (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Financial Times. IMF forecasts higher growth despite protectionism risk. (18/04/2017). Acesso em: 20/04/2017.

 

Valor Econômico. FMI: Emergentes podem perder até US$ 230 bilhões com protecionismo. (18/04/2017). Acesso em: 20/04/2017.

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