Para MAPA, mistura de biodiesel ao diesel gera efeitos positivos

15 Janeiro 2016

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) acaba de divulgar o estudo “Usos de Biodiesel no Brasil e no Mundo” com os resultados de testes realizados no Brasil e em outros 12 países com diferentes misturas de biodiesel ao diesel mineral. Segundo o estudo, é possível que a adoção de teores maiores de biocombustível gere efeitos ambientais, econômicos e sociais positivos ao reduzir a emissão de monóxido de carbono e hidrocarbonetos.

 

Durante a 21ª reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, realizada em novembro de 2014, foi criado um Grupo de Trabalho com representantes de órgãos e entidades públicas – MAPA, Casa Civil da Presidência da República, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Petrobras Biocombustível e Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) – e privados – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), Associação dos Produtores de Biodisel do Brasil (APROBIO), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO). O Grupo de Trabalho tem por objetivo coletar e sistematizar informações sobre o uso de biodiesel no Brasil e no mundo, com foco nas chamadas misturas elevadas, isto é, com teor igual ou superior a 10% de biodiesel no diesel fóssil.

 

Por meio da consulta a trabalhos publicados em 12 países – os quais, em sua maioria, utilizaram a soja na produção do biodiesel –, foram avaliados aspectos como o consumo de combustível, emissões de gases-estufa, partida a frio, potência e desempenho, durabilidade e desgaste de componentes em veículos que utilizaram misturas elevadas. Os resultados, de modo geral, mostraram que o uso dessas misturas elevadas não traz impactos significativos para a partida a frio; a potência e desempenho; e a durabilidade e desgaste de componentes.

 

Em misturas de até 30% de biocombustível, os motores não são comprometidos significativamente em nenhum dos critérios analisados. Já em termos de emissões de gases do efeito estufa, quanto maior o percentual de biodiesel na mistura, melhor é o desempenho ambiental – à exceção da emissão de óxidos de nitrogênio (NOx).

 

Todavia, notou-se a necessidade de um número maior de trocas dos filtros de combustível e lubrificantes, o que poderá ser solucionado com a adoção de procedimentos e cuidados voltados à manutenção da especificação do biodiesel e o avanço tecnológico no uso de materiais mais adequados ao contato com o biodiesel, qualquer que seja o teor da mistura utilizada.

                                       

Dessa forma, o uso de misturas elevadas de biodiesel apresenta-se seguro para os motores e vantajoso para a saúde pública e o meio ambiente. Nesse sentido, o estudo pode auxiliar na evolução da mistura obrigatória em nível nacional e de usos superiores facultativos.

 

Trata-se de um ponto que está em discussão na Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei No. 3.834/2015, do senador Donizeti Nogueira (PT/TO), que busca aumentar a mistura de biodiesel ao diesel mineral de 7% para 10% em três anos. Estima-se que a frota brasileira seja de 4 milhões de veículos, e a produção e o consumo de biodiesel no Brasil para 2016 estão estimados em 4 bilhões de litros.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Avicultura industrial. Estudo do Mapa revela uso seguro e vantajoso de biodiesel para motores, saúde pública e meio ambiente. (13/01/2016). Acesso em: 13 jan. 2016.

 

MCTI. Câmara do Biodiesel divulga estudo sobre mistura ao óleo diesel. (28/12/2015). Acesso em: 13 jan. 2016.

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