Próxima parada: Ásia

25 Setembro 2014

 

Há apenas 50 anos, a renda per capita da Coreia do Sul era equivalente a 50% da brasileira. Próximo dali, ao menos 15 milhões de pessoas perdiam a vida na chamada Grande Fome Chinesa. Ao Sul, as notícias tampouco eram positivas: em meio a sangrentas batalhas, milhares de pessoas pereciam na Guerra do Vietnã. Eram tempos difíceis para a Ásia, ainda abalada pelos enormes desafios derivados do processo de descolonização. É provável que a maioria dos analistas atuantes à época, se convocados a comparar as perspectivas econômicas asiáticas com o potencial da América Latina, reservasse suas profecias mais otimistas para Estados como Argentina, Brasil, México ou Uruguai.

 

Passado meio século, porém, os mesmos especialistas possivelmente chegariam a conclusões distintas. Embora alguns países latino-americanos recebam elogios ocasionais por seu desempenho, não há região do mundo em desenvolvimento mais celebrada que a Ásia. Eixo dinâmico do crescimento mundial, exemplo de transformação produtiva no curto prazo, fértil terreno para a inovação e a diversificação produtiva – quantas folhas não poderíamos preencher com opiniões positivas sobre o continente? 

 

O desenvolvimento econômico asiático é um fato incontestável, assim como a importância de sua trajetória para que possamos compreender – ainda que parcialmente – as razões para nosso crescimento inconstante. Por trás de tais descrições e comparações, entretanto, existe uma pergunta fundamental: de que maneira a América Latina deve se relacionar com a Ásia? Qual o papel do comércio na construção de pontes com aquele continente? Ou, ampliando o espectro: à medida que os países asiáticos se consolidam como elementos fundamentais na complexa estrutura das cadeias globais de valor, o que caberá a nós, caracterizados por certa timidez na integração com os fluxos internacionais de intercâmbio?

 

O presente número do Pontes oferece a você, prezado(a) leitor(a), a possibilidade de refletir sobre a relação entre a América Latina e a Ásia. As páginas a seguir, ademais, lançam o desafio de pensarmos sobre uma questão incontornável, e que certamente acompanhará a trajetória dessa publicação pelos próximos meses e anos: daqui a 50 anos, o que dirão os especialistas sobre os caminhos adotados pelo Brasil em matéria de política comercial? Somente a comparação e a introspecção nos aproximarão de uma possível resposta.

 

As opiniões sobre perguntas dotadas de tamanha complexidade não se limitam a essa edição. Tanto o site do Pontes quanto o seu e-mail se destinam àquela que é nossa principal missão: tornar o Pontes uma publicação cada vez mais aberta a você, prezado(a) leitor(a).

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

 

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