Projeção em tempos de incerteza

20 Novembro 2016

A noção de "país emergente" abarca uma série de complexos atributos. Entre os muitos aspectos a serem explorados, chama a atenção o caráter dinâmico sugerido em sua formulação. Emergência implica projeção rumo a dimensões adicionais da governança global. Para além desse objetivo genérico, inúmeras perguntas podem ser colocadas. Afinal, são muitos os meios possíveis para que tal fim – ocupar novos espaços – seja alcançado.

 

De fato, a construção de uma rede de relacionamentos entre Estados resulta de um processo marcado por sucessivas tentativas e erros. É impossível explicar a garantia de acesso a novos mercados, ou a expansão dos estoques de recursos naturais disponíveis, considerando apenas princípios econômicos. Acima de tudo, projetar-se em direção ao novo significa estabelecer um arcabouço institucional capaz de incentivar a convergência em torno de um objetivo comum.

 

Nesse sentido, uma pergunta fundamental diz respeito à capacidade de os países emergentes promoverem um realinhamento efetivo dos fluxos comerciais. Reconhecendo a diversidade encontrada nesse seleto grupo, serão todos os seus integrantes igualmente capazes de projetar seus interesses na esfera internacional? Em um ano marcado pelo triunfo eleitoral de plataformas dissonantes da caracterização do ordenamento global até então vigente, ganha importância a discussão das fortalezas e debilidades de tais atores. De que maneira Brasil, China ou Índia se comportariam diante da possível erosão de parte do atual emaranhado de acordos comerciais? Como responderiam caso uma potência como os Estados Unidos decidisse descumprir as decisões do Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) da Organização Mundial do Comércio (OMC)?    

 

Preparar-nos para entender o futuro incerto exige um profundo mapeamento do presente. Nesse sentido, este número do Pontes desvenda algumas das estratégias específicas adotadas pelos países emergentes em sua busca por projeção. As páginas a seguir trazem a você, prezado(a) leitor(a), análises que discutem a lógica de instrumentos concebidos para ordenar fluxos comerciais e investimentos desse pequeno grupo. Serão tais ferramentas organizacionais e institucionais efetivas? Quais são os efeitos colaterais de tal estratégia sobre outros Estados? Finalmente, de que maneira países emergentes competem, cooperam ou coexistem?

 

Preocupado em publicar temas relevantes a você, prezado(a) leitor(a), o Pontes depende de sua participação. Muito nos interessa saber o que pensa sobre o tema, assim como as questões que gostaria de debater no futuro. Para tal, nosso site e e-mail oferecem meios adicionais para um diálogo.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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