Qualquer avanço é válido?

11 Abril 2016

A construção de um arcabouço institucional capaz de suportar a expansão do comércio internacional está em uma encruzilhada. Considerada um dos pilares da estabilidade no mundo do segundo pós-guerra, tal iniciativa dependerá de ajustes para seguir prosperando. Refém da lógica imposta pela chamada "teoria da bicicleta", a liberalização é um imperativo. No entanto, muitos se perguntam: devemos lutar por quaisquer avanços? Décadas de crescimento econômico não trouxeram todas as soluções prometidas em finais dos anos 1940. Da mesma forma, importantes efeitos colaterais são sentidos tanto nos modelos climáticos quanto nas estatísticas de distribuição de renda em boa parte dos participantes desse ambicioso projeto.

 

Não por acaso, as consequências da liberalização comercial nunca foram analisadas tão de perto. A cada nova estratégia de refinamento institucional, inúmeras organizações apresentam suas críticas e elogios. Separar o joio do trigo nem sempre é fácil, tamanho o ruído. Algum método, porém, deve ser encontrado. Ironicamente, até os mais ferrenhos opositores do atual status quo se beneficiam da existência de um arcabouço consolidado. Fosse distinto o cenário, provavelmente os custos de transação ligados à tomada de decisões seriam proibitivos em um mundo em que cada vez mais atores têm algo a dizer.

 

Em outras palavras, décadas de árduo trabalho possibilitaram o estabelecimento de rotinas que, apesar de não oferecerem uma saída para todos os dilemas econômicos e sociais enfrentados pela humanidade, possibilitam o diálogo. Se, por um lado, a organização das preferências da sociedade civil constitui um componente fundamental para quaisquer avanços na agenda comercial, por outro, é provável que tal processo apenas seja possível caso amparado no arcabouço institucional já existente. Ainda que muitos desse atores sejam críticos aos resultados facilitados pelas regras atuais, pior seria o vácuo.

 

Por isso, faz-se necessário preservarmos tais canais de comunicação. À medida que a comunidade internacional experimenta variadas geometrias para sua integração comercial, escolhas importantes serão feitas: quais práticas abandonar e quais regras adicionar aos novos acordos? De que maneira reformar aquilo que já existe sem abandonar os pilares de sustentação do atual modelo? Diante da proliferação de objetivos, muitos dos quais conflitantes, quais os limites para a criatividade institucional? Certos da importância do exercício, esperamos que este número do Pontes contribua para que você, prezado(a) leitor(a), encontre respostas para cada uma dessas perguntas.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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