Serviços: decifrar para regular

7 Março 2017

Se tivéssemos que resumir a estrutura típica da uma economia desenvolvida em uma figura, qual selecionaríamos? Mudaríamos de ideia caso o desafio fosse descrever os anseios de um país emergente? É provável que muitos de nós escolheríamos ilustrações do chamado “chão de fábrica”. Poucas imagens fornecem uma representação tão poderosa de nossas ambições econômicas quanto aquelas que reproduzem a atividade industrial. Ideias como a linha de montagem não nos ajudam a explicar apenas o que produzimos ou como o fazemos. Indo além, dali tiramos inspiração para fundamentar nossas concepções sobre o processo de criação de valor na sociedade.

 

No entanto, uma série de revoluções silenciosas tem desafiado a função analítica mencionada acima das chaminés e das multidões de operários. Entre as muitas transformações observadas desde a metade do século XX, o aumento da importância econômica do setor serviços merece destaque. De fato, a rotina do chão de fábrica parece distante para um contingente crescente da população mundial. Ainda assim, sempre que estimulados a dimensionar a contribuição dos serviços para a geração de riqueza, tropeçamos em velhos conceitos.

 

Diante da demanda crescente pelo estabelecimento de um novo conjunto de regras para o comércio de serviços, uma pergunta é inevitável: conhecemos o setor suficientemente? Parte de nosso impulso por mudanças constitui uma reação à decadência do chão de fábrica tal qual o conhecemos. Identificamos de onde vem o valor, mas todavia sofremos com definições imperfeitas, estatísticas escassas e projeções imprecisas.

 

Reconhecendo a importância de conhecermos melhor aquilo que nos rodeia, este número do Pontes oferece a você, prezado(a) leitor(a), textos que discutem o futuro da governança do comércio internacional de serviços. Nas páginas a seguir, especialistas discutem os inúmeros desafios para a consolidação de um arcabouço institucional adaptado às peculiaridades do setor e às variadas preferências de seus usuários. Ademais, as contribuições aqui publicadas nos permitem refletir sobre as limitações existentes para compreendermos de que maneira a regulação do setor afeta a criação e distribuição de riqueza.

 

Com o primeiro número de 2017, o Pontes busca reafirmar sua vocação: contribuir para o intercâmbio de ideias sobre questões relevantes às distintas dimensões do comércio. Para tanto, renovamos o convite para sua participação, deixando um comentário no site da publicação ou escrevendo um e-mail para nossa Equipe Editorial.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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