Trump ameaça abandonar a OMC caso seja eleito presidente dos Estados Unidos

28 Julho 2016

Recentemente, o candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump, ameaçou pedir a saída do país da Organização Mundial do Comércio (OMC) caso vença as eleições. As declarações não soaram como parte de uma estratégia de longo prazo do empresário: a posição foi uma reação a uma observação feita pelo entrevistador, que questionou a habilidade do governo estadunidense de punir empresas que decidissem transferir a produção para outros países. Ainda assim, o discurso motivou críticas em diversas frentes.

 

Embora tenha evitado questionar diretamente as declarações de Trump, o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, demonstrou preocupação quanto ao avanço do discurso anti-livre comércio nos países desenvolvidos. Em entrevista à imprensa dos Estados Unidos, o diplomata brasileiro associou o lento crescimento da economia mundial à dificuldade de concretização de uma agenda multilateral mais ambiciosa (ver Boletim de Notícias Pontes). Ainda, Azevêdo considera que o grau de interdependência bilateral torna "inevitáveis" os atritos entre Estados Unidos e China. Em sua opinião, a questão fundamental é como administrar tais desentendimentos, algo facilitado pela existência da OMC.  

 

Em Washington, membros destacados do Partido Republicano sublinharam a importância do sistema multilateral de comércio para a política externa dos Estados Unidos. A OMC foi defendida por Paul Ryan, cujo apoio a Trump ocorreu após semanas de reticências. Outro congressista ligado ao partido, Kevin Brady, enfatizou que a Organização é essencial para garantir a competitividade dos produtos estadunidenses no mundo.

 

Mesmo grupos críticos à liberalização comercial distanciaram-se das declarações do candidato do Partido Republicano (ver Boletim de Notícias Pontes). Exemplo é encontrado na principal federação de sindicatos do país, a Federação Estadunidense do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO, sigla em inglês). Segundo Thea Lee, integrante do gabinete da organização, "a ideia de que, de alguma maneira, Trump defende o comércio justo ou políticas favoráveis aos trabalhadores é absurda". Em sua visão, críticas à OMC não deveriam ser confundidas com a defesa do fim de um sistema multilateral baseado em regras estáveis, ou a sua substituição por uma lógica baseada "nas opiniões de Trump".

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

CNBC. After Trump speech, WTO chief says protectionist language poses risk to trade. (22/07/2016). Acesso em: 27 jul. 2016.

 

Político. GOP leaders defend WTO after Trump threatens U.S. exit. (25/07/2016). Acesso em: 27 jul. 2016.

 

Reuters. WTO chief won't debate Trump, but rallies support for trade. (27/07/2016). Acesso em: 27 jul. 2016.

22 Março 2006
Nos últimos dias 10 e 11 de março, reuniram-se em Londres delegados de Comunidades Européias (CE), Estados Unidos (EUA), Austrália, Brasil, Índia e Japão (G-6) para discutirem sobre um possível...
Share: 
22 Março 2006
De acordo com um diplomata baseado em Genebra e envolvido no processo de negociação, os resultados de uma simulação informal para avaliar como as principais propostas em discussão nas negociações da...
Share: