Uruguai defende Venezuela na Presidência Pro Tempore do Mercosul

11 Junho 2016

Em um encontro da coalizão política Frente Ampla, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, defendeu a ascensão da Venezuela à Presidência Pro Tempore do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A iniciativa respeitaria o roteiro original, que prevê a rotação da liderança no final de julho. Até o momento, a data e a natureza da cerimônia para a transferência não estão definidas. A posição contrasta com as críticas crescentes à administração de Nicolás Maduro, potencializadas com a eleição de Mauricio Macri na Argentina e o afastamento de Dilma Rousseff no Brasil.

 

Recentemente, uma fonte ligada ao governo do Brasil manifestou o desejo da administração Michel Temer de evitar a ascensão venezuelana à Presidência Pro Tempore do bloco. Embora o Itamaraty tenha negado ter feito essa declaração, o clima de animosidade entre Brasília e Caracas é evidente após o afastamento da presidente Dilma Rousseff (ver Boletim de Notícias Pontes). Por sua vez, um funcionário da Casa Rosada aponta que a manutenção do conflito entre os apoiadores de Nicolás Maduro e a oposição inviabilizaria a transferência da liderança do Mercosul à Venezuela. Ainda que Mauricio Macri prefira adotar a via do diálogo, a interpretação atual de Buenos Aires é pessimista.

 

Caso os governos de Argentina e Brasil endureçam o discurso, devem receber o apoio do Paraguai. No fim de maio, Assunção evocou o Protocolo de Ushuaia para pedir uma reunião especial com o objetivo de discutir os últimos desdobramentos da crise política na Venezuela. Diante da tímida resposta recebida, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, chegou a anunciar um distanciamento de quaisquer discussões sobre o governo Nicolás Maduro. Contudo, o mesmo chanceler expressou, dias depois, a expectativa de que os membros do Mercosul organizem um encontro para analisar a situação até meados de junho.

 

Finalmente, Vázquez apresenta uma posição distinta de outro relevante político uruguaio, atualmente alçado a uma posição de liderança no contexto hemisférico. No final de maio, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, apresentou um relatório repleto de críticas contra o governo de Nicolás Maduro. Ao invocar a Carta Democrática Interamericana, Almagro foi acusado por Caracas de ter extrapolado suas atribuições.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

El País. Secretário-geral da OEA vê ameaça à democracia na Venezuela e convoca reunião. (31/05/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

 

La Nación. Paraguay toma distancia de situación en Venezuela. (31/05/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

 

MercoPress. Uruguay will hand the Mercosur rotating chair to Venezuela in July and defies OAS chief proposal. (06/06/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

 

O Globo. Mercosul estuda punir Venezuela se governo não dialogar. (03/06/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

 

Reuters. Brazil considers blocking Venezuela from Mercosur presidency: source. (02/06/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

 

Zero Hora. Paraguai aguarda reunião de chanceleres do Mercosul sobre Venezuela. (07/06/2016). Acesso em: 09 jun. 2016.

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