Apesar da falta de consenso, integrantes da TPP mantêm otimismo

10 Agosto 2015

Em visita ao Vietnã, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, afirmou que as negociações para o estabelecimento da Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês) podem ser concluídas até o final de 2015. Embora reconheça a existência de tópicos sensíveis nas negociações, como a liberalização do intercâmbio de automóveis e laticínios, o funcionário estadunidense mostrou otimismo. Kerry usou o exemplo do diálogo sobre o programa nuclear do Irã para sugerir a dificuldade – e a viabilidade – de um acordo envolvendo inúmeros interesses parcialmente conflitantes.

 

Também na Ásia, o ministro de Economia e Política Fiscal do Japão, Akira Amari, acompanhou o tom positivo de Kerry. Segundo Amari, um consenso sobre o estabelecimento da TPP pode ser obtido já na próxima reunião do grupo de 12 países. Matizes em seu discurso, porém, revelam que a tarefa não será tão simples. Em especial, o principal representante do governo japonês nas negociações reconheceu que sua previsão inicial, de um novo encontro no final de agosto, provavelmente não será concretizada.

 

Estados Unidos e Japão são fundamentais para a obtenção de um consenso (ver Boletim de Notícias Pontes). Por isso, ambos os países fornecem um exemplo representativo da complexidade envolvida nas negociações da TPP. Entre os diversos pontos polêmicos, destaca-se a indústria automobilística. Por um lado, o governo estadunidense pratica uma tarifa de 2,5% para a importação de carros e de 25% para a de caminhões. O Japão, por sua vez, não aplica tarifas sobre automóveis. Ocorre, entretanto, que Tóquio determina uma série de requisitos para a venda de veículos que, na prática, inviabilizam a penetração dos importados em seu território.

 

Não por acaso, está em jogo a possível eliminação de tarifas – algo que os negociadores dos Estados Unidos já sinalizaram –, mas também a harmonização de padrões entre os países. Os fabricantes japoneses argumentam que o automóvel típico da América do Norte, por seu tamanho e consumo de combustível, não se enquadra no padrão de preferências dos consumidores da ilha. Ainda que a limitada penetração esteja relacionada a dificuldades de adaptação, esse debate envolve algo maior: o acesso aos mercados dos outros participantes da TPP, cuja demanda por carros está em expansão à medida que a renda per capita permite a popularização de um estilo de vida semelhante àquele dos países do Ocidente.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Político. The Trans-Pacific Partnership issues in depth. (26/07/2015). Acesso em: 07 ago. 2015.

 

Reuters. Kerry confident of concluding TPP trade pact this year. (07/08/2015). Acesso em: 07 ago. 2015.

 

Time. These 5 facts explain the obstacles to the Trans-Pacific Partnership. (07/08/2015). Acesso em: 07 ago. 2015.

 

The Japan Times. Amari says TPP trade chiefs unlikely to meet in August. (07/08/2015). Acesso em: 07 ago. 2015.

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