Apesar da oposição do setor agrícola, ministro diz que França não travará acordo Mercosul-UE

5 Abril 2017

O ministro de Economia e Finanças da França, Michel Sapin, reuniu-se com o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, Marcos Pereira, e afirmou que seu país está determinado a fazer com que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) avance “bem e de forma rápida”. No encontro realizado na última semana de março, Sapin garantiu que a França “não será um obstáculo”. Por outro lado, ainda em 2016, a França liderou um grupo de países que tentou barrar o avanço das negociações com base no argumento de que o acordo teria impactos negativos sobre a agricultura europeia (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

Recentemente, o escândalo provocado pela Operação “Carne Fraca” deu ainda mais força aos opositores do acordo birregional (ver Boletim de Notícias Pontes). O Comitê de Organizações Agrícolas Profissionais e Comitê Geral de Cooperação Agrícola na União Europeia (COPA-COGECA, sigla em francês) já havia expressado preocupação com o uso de antibióticos no processo de produção de carne no Mercosul. A desconfiança envolvendo a carne sul-americana já estimulou resistências às negociações no passado.

 

Grupos agrícolas também consideram que os países do bloco sul-americano teriam vantagem competitiva no mercado europeu por meio de dumping ambiental. Em outras palavras, que a produtividade agrícola brasileira seria beneficiada pelo desmatamento florestal.

 

De outro lado, alguns países europeus, como a Espanha, são amplamente favoráveis ao acordo. Representantes do governo espanhol, quando da investida francesa, declararam que consideram as negociações com o Mercosul extremamente urgentes e que, uma vez iniciadas, as preocupações da França seriam resolvidas. O grupo de países favoráveis ao acordo também inclui Alemanha, Itália, Portugal, Reino Unido e Suécia.

 

Considerando que o Reino Unido era um dos que mais apoiava um acordo entre UE e Mercosul, os países do Cone Sul temem que as negociações de “Brexit” afetem negativamente as perspectivas do acordo birregional. No entanto, o contexto de incerteza envolvendo a ascensão de Trump e o Brexit parece ter aumentado o ímpeto de Bruxelas em avançar nas negociações com outros parceiros comerciais (ver Bridges, v.21, n.11).

 

Em termos práticos, um acordo teria que contar com concessões em áreas consideradas muito sensíveis politicamente em ambos os lados. Cecilia Malmström, comissária de Comércio da UE, reconheceu, em reunião com a COPA-COGECA, que concessões por parte dos europeus serão necessárias, mas que o Mercosul tem conhecimento dos setores considerados sensíveis à Europa – etanol, açúcar e carne bovina.

 

Dos produtos do Mercosul importados pela UE, 42% corresponderam, em 2014, a alimentos, animais vivos e materiais brutos. Do lado do Mercosul, a maior parte das importações advindas da UE consiste em maquinaria e produtos farmacêuticos.

 

As negociações do acordo UE-Mercosul entraram em um estado de letargia após 2004, mas foram reiniciadas em 2016, com ambas as partes empregando uma retórica amplamente favorável ao avanço das negociações. Contudo, há diferentes graus de entusiasmo no que diz respeito ao acordo. A necessidade de concessões em setores politicamente sensíveis nos dois blocos não permite que o entusiasmo atual esconda a dificuldade das negociações. 

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Expatica. Brexit, Trump, will spure EU-Mercosur free trade deal. (23/11/2016). Acesso em: 04/04/2017.

 

Financial Times. France leads EU revolt against Mercosur trade talks. (05/05/2016). Acesso em : 04/04/2017.

 

Tribune de Genève. Michael Sapin veut rassurer le Mercosur. (31/03/2017). Acesso em : 04/04/2017.

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