Argentina e Brasil discutem renovação do regime automotivo

19 Fevereiro 2016

Dois meses após negociarem a liberalização do intercâmbio do setor automotivo com o Uruguai (ver Boletim de Notícias Pontes), funcionários do governo brasileiro viajaram a Buenos Aires com objetivo semelhante. Ao final do encontro bilateral realizado em 18 de fevereiro, os representantes prometeram um acordo, mas não definiram prazo para tal. Em entrevista, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Armando Monteiro, e o ministro de Produção da Argentina, Francisco Cabrera, mostraram otimismo quanto a uma futura abertura do mercado regional. O período para a materialização de tal objetivo, porém, depende do interlocutor consultado.

 

De fato, a linguagem utilizada durante a entrevista revela distintos sensos de urgência. Enquanto o ministro argentino se referiu à abertura comercial como uma meta de "longo prazo", seu colega brasileiro apontou um "horizonte específico, inferior a cinco anos". Por trás da aparente discordância, está a preocupação de Buenos Aires com os incentivos concedidos pelo programa Inovar-Auto, cuja duração se estende até 2017. Não por acaso, Cabrera enfantizou a necessidade de uma "integração produtiva que gere empregos" e defendeu uma "estratégia comum que produza equilíbrio e trabalho em ambos os países". Por sua vez, Monteiro reconheceu que a modificação das políticas adotadas por Brasília exigirá tempo, mas acolheu as queixas do país vizinho.

 

Tema sensível em ambos os lados da fronteira (ver Pontes Vol. 10, N. 10), o setor automotivo tem seu comércio entre Argentina e Brasil regulado por um regime voltado, entre outras funções, à redução de assimetrias no intercâmbio bilateral. Vigente até o fim de junho, o atual acordo prevê que, para cada US$ 1,50 exportado de empresas baseadas em território brasileiro, US$ 1 deve ser vendido por firmas argentinas. Quando negociarem um novo regime, em abril, o sistema de compensação não desaparecerá. De qualquer maneira, Monteiro demonstrou interesse em usar as conversas para conceber um arranjo que estabeleça uma "estratégia de inserção conjunta" em mercados de outros países.

 

Conforme lembrado por Monteiro, fortalecer o setor é importante não apenas pelas potenciais oportunidades abertas. Em um futuro marcado pela possível intensificação das relações comerciais entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e outros blocos econômicos, como a União Europeia (UE), o aumento da competitividade será chave para a sobrevivência da indústria. Por sinal, as negociações com a UE constituem outro tema em que, já há algum tempo, o significado do termo "prazo" depende do interlocutor. Embora a ascensão de Mauricio Macri tenha aproximado as preferências da Argentina daquelas do Brasil (ver Boletim de Notícias Pontes), resta saber se os europeus farão a sua parte. Diante dos jornalistas, ambos os ministros sublinharam a intenção de promover um intercâmbio de ofertas até o fim do primeiro semestre de 2016. Conforme lembrado por Monteiro, entretanto, o processo ocorrerá "na medida do possível".

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Agência EBC.Brasil e Argentina vão começar a renegociar acordo automotivo em abril. (18/02/2016). Acesso em: 18 fev. 2016.

 

Página 12. El acuerdo automor con Brasil deberá esperar. (18/02/2016). Acesso em: 18 fev. 2016.

 

Télam.Argentina y Brasil dejarán el libre comercio de autos para mediano o largo plazo. (18/02/2016). Acesso em: 18 fev. 2016.

 

Valor Econômico.Argentina resiste à ideia de livre comércio automotivo com o Brasil. (18/02/2016). Acesso em: 18 fev. 2016.

3 Agosto 2017
Em 29 de julho, ocorreu em Hangzhou (China) o segundo encontro dos ministros da Indústria do BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, China e África do Sul. Logo em seguida, a cidade de Xangai abrigou...
Share: 
10 Agosto 2017
Em 7 de agosto, um representante da China lotado em Montevidéu afirmou que seu país tem interesse em um tratado de livre comércio (TLC) com o Uruguai e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). No dia...
Share: