Brasil organiza seminário para fomentar relações entre Mercosul e Aliança do Pacífico

8 Junho 2018

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil organizou, em 5 de junho, o seminário “Mercosul-Aliança do Pacífico: reforçando os vetores da integração”. O objetivo do evento realizado em Brasília era reunir empresários, jornalistas, parlamentares, acadêmicos e representantes governamentais para discutir as perspectivas da convergência entre os dois blocos e suas inserções na economia mundial. O evento contou com a participação de especialistas como o secretário-geral da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), Alejandro de La Peña Navarrete; da secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina, Alicia Bárcena; e do diretor do Setor de Integração e Comércio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Antoni Estevadeordal.

 

Paulo Tigre, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que participou do seminário em Brasília, considera que é importante a definição de uma agenda que acelere a aproximação da Aliança do Pacífico com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Segundo Tigre, é importante desenvolver uma agenda para o aprofundamento dos acordos entre os dois blocos para que os países do Mercosul e da Aliança do Pacífico não fiquem em desvantagem com concorrentes em seus respectivos mercados. Entre os temas a serem explorados para a construção dessa agenda, destacam-se barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias, facilitação de comércio, coerência regulatória e regras de origem.

 

A CNI tem calculado que 19 de 25 dos principais setores industriais exportadores dos países do bloco sul-americano perderam participação na Aliança do Pacífico nos últimos dez anos. Por exemplo, o setor aeronáutico, que em 2008 tinha uma presença de 6,3% no mercado, passou a apenas 0,8% no ano passado. Nesse período, as economias do bloco da Aliança importaram mais de China, Estados Unidos e União Europeia.

 

No mesmo seminário, o ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, José Antônio Marcondes de Carvalho, comentou que a aproximação entre os dois blocos é parte importante da inserção do país no mercado internacional e compõe a estratégia de competição na América Latina. Para Marcondes de Carvalho, reforçar as relações entre os blocos responde ao contexto atual de fragmentação, protecionismo e impasse que o multilateralismo atravessa.

 

Durante a Presidência Pro tempore brasileira do bloco, no semestre passado, o Mercosul apresentou à Aliança uma proposta de acordo sobre facilitação do comércio. Esta foi uma forte demanda dos setores privados nos países de ambos os blocos. Dos países da Aliança, apenas o México não possui um acordo de livre comércio com o bloco sul-americano.

 

A intensificação dos laços com a Aliança do Pacífico ocorre em um momento de dinamismo da agenda econômico-comercial do Brasil e do Mercosul com a região latino-americana. Ambos os agrupamentos buscam, por meio desse dinamismo e tentativas de aproximação (ver Boletim de Notícias Pontes), aproveitar os acordos comerciais existentes, fomentar a integração produtiva, avançar em temas regulatórios e incentivar a interação empresarial.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Comex do Brasil. CNI defende integração entre Mercosul e Aliança do Pacífico para ampliar relações comerciais. (05/06/2018). Acesso em: 07/06/2018.

 

Exame. Reforçando a integração Mercosul-Aliança do Pacífico., por Aloysio Nunes. (04/06/2018). Acesso em: 07/06/2018.

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