China almeja liderança na atividade portuária da América Latina

17 Setembro 2018

No âmbito do projeto estratégico da Nova Rota da Seda (OBOR, sigla em inglês) (ver Boletim de Notícia Pontes), a estatal China Merchants Port informou a aquisição do Terminal Portuário de Paranaguá (TCP), no Sul do Brasil. O maior grupo portuário da China – e um dos maiores do mundo – adquiriu 90% da participação do terminal portuário de Paranaguá, destino de um a cada quatro contêineres no comércio entre Brasil e China. Com a compra, a empresa chinesa busca posicionar-se como líder na atividade portuária da América Latina.

 

Segundo Lu Yongxin, vice-presidente da empresa chinesa, o investimento na compra do terminal brasileiro é o primeiro em um porto latino-americano e faz parte da iniciativa Cooperação Chinesa das Estradas e Pontes (CRBC, sigla em inglês), lançada por Beijing há cinco anos. Yongxin também comentou que a empresa trabalhará para fazer do TCP uma das principais plataformas de negócios entre Brasil e China.

 

Iniciada em 2013, a iniciativa CRBC é um gigantesco projeto estratégico desenvolvido pela China para construir uma nova plataforma de cooperação internacional e novos mecanismos de crescimento. O plano chinês baseia-se em cinco pilares: coordenação de políticas; ligação de infraestruturas e instalações; eliminação de obstáculos ao comércio; integração financeira; e reforço dos laços de amizade entre os povos.

 

Para Luiz Antonio Alves, CEO da TCP, o terminal em Paranaguá possui tudo para desenvolver ainda mais a relação comercial sino-brasileira. O terminal apresenta movimentação anual de 1,5 a 2,4 milhões de contêineres, que têm como destino principal o país asiático. Segundo Luiz Teixeira, diretor de operações da Autoridade Portuária de Paranaguá (APPA), o porto mobilizou 51,5 milhões de toneladas em 2017. Teixeira estima um crescimento de 2% nesse volume em 2018.

 

A aquisição do terminal portuário brasileiro não é a única aposta da China sob a CRBC na região sul-americana. Há também a escolha da Argentina como parceiro preferencial da China, o que leva à necessidade de modernizar a infraestrutura do país sul-americano. Para Ernesto Fernández Taboada, diretor-executivo da Câmara de Produção, Indústria, Comércio e Diálogo Argentina-China, a CRBC tem sido exitosa no estabelecimento de relações ligadas ao tema da infraestrutura com países de outras regiões e pode alcançar maior relevância para as relações bilaterais Argentina-China, que ainda não atingiram seu nível máximo.

 

Entre os investimentos da China em infraestrutura que têm se multiplicado na Argentina, destacam-se: barragens hidrelétricas no Sul do país para atualizar sua matriz energética; projetos de valorização do transporte ferroviário de passageiros na cidade de Buenos Aires e sua periferia; modernização do trem de carga que atravessa as províncias agroexportadoras do Norte; e o financiamento com tecnologia para desenvolver painéis solares para substituir combustíveis fósseis por energias alternativas no Noroeste.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Marco Trade News. La Ruta de la Seda China contribuirá a la actualización de infraestructura en Argentina. (05/09/2018). Acesso em: 11/09/2018.

 

_____. China busca liderazgo en América Latina con la adquisición de puerto brasileño. (04/09/2018). Acesso em: 11/09/2018.

7 Setembro 2018
Representantes dos países do G20 reuniram-se de 28 a 30 de agosto para discutir temas como eficiência energética, recursos naturais, adaptação e ação climática, no âmbito do Grupo de Trabalho de...
Share: 
18 Setembro 2018
Com vistas a expandir suas relações comerciais, os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) prosseguem em fase de constantes negociações com seus sócios comerciais, tais como a União Europeia (UE) e...
Share: