Com aumento de emissões, Brasil prepara-se para COP 23

5 Novembro 2017

A poucos dias do início da 23ª Conferência das Partes (COP 23, sigla em inglês) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), o Brasil prepara-se para apresentar o resultado de seus esforços em matéria climática. Um dos protagonistas nas negociações do Acordo de Paris, o Brasil desta vez leva resultados preocupantes para o encontro a ser realizado em Bonn (Alemanha), de 6 a 17 de novembro. Em 2016, o país registrou aumento de 8,9% nas emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEEs), atingindo o nível mais alto de emissões desde 2008 e a maior taxa de crescimento desde 2004 segundo o Observatório do Clima.

 

Os dados divulgados na nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) destacam o Brasil como a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem crescimento do produto interno bruto (PIB). Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observátorio do Clima, o aumento nos GEEs deve-se principalmente ao aumento da taxa de desmatamento na Amazônia. Em um único ano, foram destruídos 8.000 km2 na Amazônia e 9.500 km2 no Cerrado, gerando dificuldades para que o Brasil cumpra as metas definidas para 2020 – ano em que a UNFCCC começará a exigir o cumprimento dos compromissos do Acordo de Paris.

 

Diante desse cenário, o setor privado de biocombustíveis do Brasil reivindica que o governo nacional implemente o programa RenovaBio antes da COP 23. Trata-se de uma política governamental que pretende incentivar a produção de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de GEEs. Anunciado em fevereiro de 2017, o programa já passou por consulta pública, mas ainda não entrou em vigor – a expectativa é que isso aconteça mediante medida provisória. Segundo Bernardo Silva, presidente da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), o Brasil tem uma oportunidade única de apresentar a implementação do RenovaBio na COP 23.

 

Ademais, o país tem buscado coordenar com Argentina e Uruguai uma agenda regional de trabalho em comum para cumprir com sua contribuição nacionalmente determinada (NDC, sigla em inglês), baseada em soluções de energia limpa e transporte de baixo consumo de carbono (Ver Boletim de Notícias Puentes).

 

A delegação do Brasil para a COP 23 será chefiada pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e composta por vários órgãos do governo, parlamentares e membros da sociedade civil, que têm a tarefa de reiterar o apoio do país ao Acordo de Paris.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Agencia EFE. Brasil reitera su apoyo al Acuerdo de París y lo defenderá en la COP 23. (30/10/2017). Acesso em: 02/11/2017.

 

As vozes do mundo. Brasil vai à COP 23 com retrocesso ambiental, diz especialista. (02/11/2017). Acesso em: 02/11/2017.

 

Jornal do Brasil. Empresas de biocombustíveis querem chegar à COP23 com política para o setor. (25/10/2017). Acesso em: 30/10/2017.

 

O Globo. Brasil chega à Conferência do Clima com discurso contraditório, dizem os ambientalistas. (26/10/2017). Acesso em: 30/10/2017.

 

Terra. Emissões do Brasil sobem 9% em 2016. (27/10/2017). Acesso em: 30/10/2017.

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