Dilemas da competitividade

11 Novembro 2018

Impulsionado por um crescimento substantivo de sua produtividade desde a década de 1970, o agronegócio representa um elemento fundamental para o comércio exterior do Brasil. Em 2017, as exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 96 bilhões – marca que contribuiu para um superávit na balança do setor de quase US$ 82 bilhões. São números superlativos, que resumem uma trajetória de expansão alavancada pela abertura de novas fronteiras agrícolas e pelo êxito dos investimentos em pesquisa aplicada à realidade dos solos do país. Não por acaso, discussões sobre as características do “modelo brasileiro” são constantes entre formuladores de política e pesquisadores ao redor do globo.

 

No entanto, seria impossível explicar a trajetória do agronegócio brasileiro sem considerar os muitos incentivos fornecidos pelo exterior. Nos anos 1970, a China ocupava uma posição tímida no tabuleiro das relações internacionais. Nos Estados Unidos, as críticas sucessivas à burocratização herdada das instituições do New Deal motivaram um contínuo debate sobre a conveniência de reformas regulatórias. Nos planos regional e multilateral, o emaranhado de regimes era bastante inferior – basta lembrar que instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou a União Europeia (UE) ainda não existiam à época. Noções como a de “desenvolvimento sustentável” estavam em gestação, com a publicação dos primeiros alertas de peso.  

 

Desde então, o mundo mudou, nossos principais clientes mudaram, e até mesmo a pauta de exportações do país se transformou – com a emergência de produtos como a soja e a perda da importância relativa do café. Por isso, a compreensão dos desafios futuros enfrentados pelo agronegócio do Brasil exige uma perspectiva que vá além da lógica que motivou os avanços colhidos pelo setor nos últimos 40 anos. Qualquer que seja o “modelo brasileiro”, é evidente que terá que lidar com as tendências dos novos tempos. O que não está claro é o papel dos incentivos exógenos ou das forças criativas internas para impulsionar essas transformações.

 

O presente número do Pontes convida você, prezado(a) leitor(a), a refletir sobre o presente e o futuro do agronegócio brasileiro. Para tanto, publica contribuições que descrevem dilemas de ordem estratégica para o setor. Diante das transformações no sistema internacional e nas preferências dos consumidores, como o país deve se posicionar? Qual deve ser a lógica do relacionamento entre os setores público e privado? Existiria um conjunto de políticas capaz de superar potenciais contradições entre os interesses setoriais no interior do agronegócio brasileiro?

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

Equipe Pontes

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11 Novembro 2018
O que o Brexit reserva para o comércio agroindustrial? Poderá o Mercosul exportar volumes significativamente maiores para o Reino Unido?
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