Entre a ansiedade e a oportunidade

14 Março 2018

Transformações econômicas e sociais são uma fonte de ansiedade – e de oportunidade – para milhões de indivíduos. Com a chamada economia digital, a história se repete. Desde a virada do século XXI, bilhões de pessoas viram suas vidas afetadas por mudanças profundas na forma com que bens e informações são produzidos e intercambiados. Muitos ganharam com isso, colhendo os frutos de um considerável aumento de sua produtividade. Por outro lado, outros tantos indivíduos passaram a lidar com o temor de que décadas dedicadas a uma atividade se chocariam com o fantasma da obsolescência.

 

Em grande medida, tais transformações explicam por que a liberalização comercial se tornou um tema tão polêmico nos últimos anos. Afinal, a consolidação da chamada economia digital ameaça fundações que pareciam sólidas – trazendo um considerável dinamismo para a discussão acerca das vantagens comparativas de países e setores específicos. Ao conectar partes distantes do planeta, a tecnologia amplia o espaço para a competição entre indivíduos e organizações. Indústrias outrora consideradas eficientes têm lidado com a ameaça de “deslocalização”, em um processo capaz de afetar comunidades inteiras.

 

Por isso, discutir a natureza da economia digital implica reconhecer tanto a riqueza que gera quanto os potenciais efeitos colaterais na dimensão distributiva. Nunca é demais lembrar que a batalha pela consolidação dessa nova ordem econômica e social será disputada não apenas na esfera dos mercados, mas também no campo eleitoral. Embora ninguém questione o papel da inovação tecnológica no aumento da eficiência produtiva e na criação de riqueza, é crescente a preocupação em relação aos mecanismos de transmissão de incentivos entre as múltiplas dimensões de uma sociedade.

 

Caso queiramos compreender a natureza da economia digital, precisamos refinar nosso ferramental analítico. Somente o aprofundamento das taxonomias disponíveis e o estabelecimento de relações causais mais sólidas nos permitirá separar o ruído proporcionado por choques de curto prazo das transformações estruturais. Por isso, o primeiro número do Pontes em 2018 apresenta contribuições que permitem a você, prezado(a) leitor(a), pensar sobre as nuances presentes nesse importante processo de transformação econômica e social.

 

Neste início de 2018, renovamos o convite: seja publicando um comentário em nosso site, seja escrevendo um e-mail para nossa equipe editorial, você contribuirá para que o Pontes siga oferecendo conteúdos relevantes à comunidade de comércio nos países de língua portuguesa.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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