Estados Unidos impõem condições para negociar dispensa do Brasil de tarifas ao aço e alumínio

2 Abril 2018

Na tentativa de evitar a imposição de sobretaxas sobre seu aço e alumínio, representantes do Brasil reuniram-se, em 27 de março, com suas contrapartes dos Estados Unidos. No encontro, o governo brasileiro buscou ser dispensado das tarifas de importação adicionais sobre o aço (25%) e o alumínio (10%), anunciadas pela Casa Branca há poucas semanas (ver Boletim de Notícias Pontes). Nessa ocasião, as autoridades estadunidenses apresentaram diversas demandas ao governo brasileiro para a eliminação das sobretaxas especificamente ao Brasil. Entre as exigências, destaca-se a reavaliação da cota definida pelo governo brasileiro para o etanol dos Estados Unidos; e o compromisso de que não permitirá que a China faça triangulação de carregamentoss de aço pelo território brasileiro, com destino aos Estados Unidos.

 

Diante de tais condições, as autoridades brasileiras argumentaram que o risco de triangulação é mínimo, uma vez que a China fabrica os produtos finais e o Brasil, os insumos. Os representantes do Brasil que participaram da reunião destacaram, ainda, que a produção nacional de aço complementa aquela dos Estados Unidos e que,  por isso, existe uma sintonia no entendimento quanto à segurança nacional do abastecimento e proteção à propriedade intelectual vinculada aos produtos.

 

Para Thomas Zanotto, diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), que teve acesso às discussões, os termos estabelecidos pelos Estados Unidos são apenas pré-condições para iniciar a negociação de fato sobre as tarifas adicionais. Além disso, Zanotto comentou sobre uma investigação técnica sobre peixes importados do Alasca – similares a pescados asiáticos, cuja importação foi proibida no ano passado pelo Brasil. Esse tema é considerado de crucial importância por parte de Washington. A investigação será empreendida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

 

Caso as negociações entre os dois países avancem, existe a possibilidade de que os Estados Unidos considerem apoiar a candidatura do Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Cabe ressaltar que os Estados Unidos apenas haviam manifestado explicitamente seu apoio à candidatura do Peru – decisão que deve ser reavaliada após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski.

 

Reportagem ICTSD

 

Fonte consultada:

 

Folha de São Paulo. EUA exigem revisão de cota a etanol para negociar aço com Brasil, diz diretor da Fiesp. (28/03/2018). Acesso em: 29/03/2018.

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