Estamos à altura do desafio?

21 Agosto 2018

Diante do desafio de reafirmar a sua relevância institucional, a Organização Mundial do Comércio (OMC) busca a consolidação de uma agenda de denominadores comuns. Para tanto, eficiência e sustentabilidade emergem como duas ideias centrais. Embora as interpretações possam variar, poucos argumentariam que tais objetivos são indesejáveis. Ora, quem se oporia a uma política que propusesse a consecução de uma meta com o uso de uma quantidade inferior de recursos?

 

Ainda assim, as dificuldades de implementação muitas vezes frustram as boas intenções. O enredo que descreve o avanço da agenda de facilitação do comércio na OMC está repleto de personagens com interesses conflitantes. Protagonistas ou coadjuvantes em diversas partes do mundo derivam seu poder – e seus meios de sustento – da manutenção de consideráveis aparatos burocráticos. Da mesma forma, nem todos os países possuem os recursos que permitiriam a emergência de um cenário de maior eficiência. Afinal, a modernização de portos, estradas, procedimentos aduaneiros e sistemas de informação custa caro. 

 

Reconhecidas as barreiras à materialização de um mundo com aduanas e sistemas de distribuição de bens e serviços mais eficientes, faz-se necessário encontrar maneiras de traduzir as boas intenções em políticas concretas. Para tanto, o presente número do Pontes publica uma série de artigos destinados a promover o debate sobre o futuro da agenda de facilitação do comércio na América Latina. Nas páginas a seguir, o(a) leitor(a) encontrará análises que inspiram a busca por soluções tanto na dimensão estratégica quanto na incontornável frente da implementação.  

 

Promover a eficiência é urgente, e não apenas pelos benefícios que promove. Fundamentalmente, o avanço da facilitação do comércio manterá a relevância dos intercâmbios entre fronteiras. De fato, as mesmas tecnologias que tornam portos e aduanas mais eficientes abrem uma série de novas possibilidades de organização das cadeias de valor. Nas próximas décadas, é possível que muitas empresas optem por reaproximar os elos necessários para a produção de bens e serviços. Outrora atraídas por custos inferiores de mão de obra em países em desenvolvimento, passarão a explorar novas sinergias derivadas do avanço tecnológico. Por isso, a necessidade de repensarmos as estratégias de inserção na economia global é evidente: estaremos à altura do desafio?   

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

Equipe Pontes

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