Interesses em sintonia?

24 Outubro 2017

Resultaria a ação pública de um cálculo que busca a maximização do bem-estar da sociedade? Ou, seguindo o ponto de vista dos pioneiros da chamada Teoria da Escolha Pública, estariam os políticos e burocratas motivados pelo mesmo auto-interesse que guia a ação das empresas? Seriam os funcionários de uma administração local, regional ou federal abertos à “captura” pelos interesses de grupos específicos, não raro por meio de métodos ilegais?

 

Independentemente da perspectiva adotada, não há nada pior para um analista do que a dependência de uma lente única. Modelos teóricos possuem pontos cegos e, com frequência, adotam pressupostos fantasiosos para permitir a produção de conclusões.

 

O mundo real, porém, é repleto de nuances e exceções que ameaçam as regras. Qualquer discussão sobre as motivações da ação de um governo na representação dos interesses de uma sociedade fatalmente esbarra em padrões heterogêneos de organização de grupos privados e cidadãos, contextos históricos e institucionais específicos, assimetrias de poder e, fundamentalmente, a coexistência entre negociadores com traços únicos de personalidade.

 

Nesse sentido, a compreensão dos complexos mecanismos de transmissão das preferências entre representantes e representados se beneficia da comparação e contraste entre exemplos. Buscando contribuir para o debate, o Pontes de outubro oferece a você, prezado(a) leitor(a), textos que nos ajudam a entender o complexo processo de transmissão das preferências de grupos de interesse aos responsáveis pela condução de negociações comerciais.

 

Utilizando exemplos de iniciativas como o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Aliança do Pacífico, as contribuições encontradas nas páginas a seguir nos ajudam a entender de que maneira os países da América Latina determinam suas posições antes de discutirem a liberalização e regulação do intercâmbio de bens, investimentos, serviços e pessoas.

 

Nosso objetivo é estimular você, prezado(a) leitor(a), a refletir sobre as características dos arranjos que nos permitem revelar as preferências em relação a questões comerciais. Serão os mecanismos disponíveis suficientes para uma representação equilibrada, considerando a diversidade de interesses em uma sociedade? Poderão eventuais distorções no processo de definição de prioridades ameaçar a legitimidade dos acordos regionais de comércio perante o público?

 

Muito nos interessa saber o que pensa sobre o tema. Para tanto, deixamos o convite para que participe do debate, escrevendo um e-mail para nossa equipe editorial ou deixando um comentário no site da publicação.

  

Esperamos que aprecie a leitura

 

A Equipe Pontes

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