México busca atualização de acordos com Brasil e Argentina

24 Outubro 2017

Diante das incertezas quanto ao desfecho da renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), o México tem buscado aprofundar suas relações comerciais com mercados como Argentina, Brasil e União Europeia (UE). Com isso, o objetivo é modernizar os acordos que já firmou com esses parceiros, a fim de eliminar obstáculos e expandir a lista de produtos para o intercâmbio comercial.

 

A quarta rodada de negociações do NAFTA foi concluída em Arlington (Estados Unidos) em meio a tensões devido à incorporação de três novos temas: i) criação de “cláusula de caducidade”; ii) eliminação do capítulo sobre solução de controvérsias; e iii) mudanças em regras de origem (ver Boletím de Notícias Pontes) – todos os temas propostos pela delegação estadunidense.

 

Nesse contexto, o México tem trabalhado em um “Plano B”, paralelo à renegociação do NAFTA. Segundo o secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo, o país está buscando novos mercados em outras regiões e procurando aumentar as preferências comerciais com Brasil e Argentina. De acordo com o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Rubens Barbosa, existe a oportunidade para que Brasil e Argentina exportem produtos para o México se as negociações do NAFTA entrarem em colapso.

 

É nesse contexto que o país da América do Norte está renegociando os Acordos de Complementação Econômica Brasil-México (ACE-53) e Argentina-México (ACE-6) com o objetivo de substituir a importação de alguns produtos oriundos dos Estados Unidos (como milho, soja e trigo), por insumos argentinos e brasileiros.

 

Como parte desse esforço pela diversificação de suas importações frente às incertezas que se apresentam, o México receberá pela primeira vez 30.000 toneladas de trigo da Argentina no próximo mês de dezembro. Além disso, o país pretende aumentar as exportações de produtos químicos, de cuidado pessoal e de manufaturados, como televisões e eletrodomésticos.

 

Por parte do setor privado, o presidente da Associação Mexicana da Indústria Automotriz (AMIA), Eduardo Solís, almeja que o ACE-6 possa se somar ao ACE-55 (Ver Boletim de Notícias Pontes), eliminando, dessa forma, as cotas de importação. Além da intensificação do comércio no setor, também se espera que as controvérsias que marcaram a relação entre esses países em 2011 possam ser consideradas parte de um passado distante.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

BBC Mundo. Qué impacto tendría en América Latina (y no sólo en México) un derrumbe del NAFTA. (18/10/2017). Acesso em: 23/10/2017.

 

El Financiero. Industria Automotriz en México pone la mira en Brasil y Argentina. (17/10/2017). Acesso em: 23/10/2017.

 

Expasión. El Plan B de México al TLCAN comienza dar resultados. (17/10/2017). Acesso em: 23/10/2017.

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