Membros do Mercosul buscam, unilateralmente, acordos com terceiros países

26 Outubro 2016

Após meses de crise na sucessão da Presidência Pro Tempore do Mercado Comum do Sul (Mercosul), os membros do bloco têm procurado aumentar seu relacionamento com terceiros países de forma unilateral. Na última semana, o ministro de Relações Exteriores do Paraguai encontrou-se com o ministro da Rússia para discutir o fomento do diálogo político e da cooperação bilateral. Nesse mesmo período, o presidente do Uruguai visitou a China para avançar nas negociações da assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC). Semanas antes, o governo brasileiro visitou diversos países asiáticos, buscando abertura de mercados, e o presidente argentino visitou a Itália.

 

De 16 a 18 de outubro, o ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Eladio Loizaga, realizou uma missão à Rússia, na qual os países se comprometeram a fortalecer a cooperação bilateral como eixo do processo de promoção de desenvolvimento e impulsionar projetos de cooperação técnica, científica e cultural. Entre as áreas de interesse estão agricultura e pecuária, o setor energético e o setor de transportes.

 

Para ampliar essa cooperação, as vias destacadas foram a Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (CELAC), a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e o Mercosul. Ainda, Paraguai e Rússia assinalaram a importância da assinatura de um Memorando de Cooperação Comercial e Econômica entre a Comissão Econômica Euroasiática (CEE) e os membros do Mercosul.

 

Também no dia 18 de outubro, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, reuniu-se com o presidente chinês, Xi Jinping, na tentativa de marcar o início das negociações de um TLC entre os dois países. O desejo de ambos é que o TLC seja assinado em 2018. Para o Uruguai, o TLC poderia derrubar as barreiras tarifárias chinesas.

 

No encontro, os países emitiram uma declaração conjunta sobre o estabelecimento de uma associação estratégica e assinaram 16 acordos de cooperação em diversas áreas, tais como agricultura, energia, tecnologia e tarifas. A China ressaltou a importância do Mercosul e sua disposição em manter uma estreita comunicação com o bloco sobre as relações comerciais entre ambos e o TLC com o Uruguai.

 

Isso porque o Uruguai precisa da aprovação de todos os membros do Mercosul para assinar o TLC. O presidente argentino, Mauricio Macri, já sinalizou que habilitará o Uruguai ao acordo, embora seja favorável à negociação de acordos desse tipo em bloco. Desde sua posse, Macri tem buscado incrementar suas relações com a Itália, o que culminou na assinatura de um plano de investimentos italiano na Argentina.

 

Por sua vez, o Brasil tem empreendido esforços com vistas à abertura de novos mercados nos últimos meses. Para tanto, o governo realizou missões à Ásia (China, Coreia do Sul, Índia, Japão, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã) e tentou avançar nas negociações de Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) com Marrocos e Índia. Os ACFIs brasileiros têm constituído a base de acordos firmados pelo Brasil com países fora do Mercosul (ver Pontes, vol. 12, n. 01).

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

El Observador. Macri se muestra "predispuesto" a habilitar TLC de Uruguay con China. (20/10/2016). Acesso em: 25/10/2016.

 

El País. Uruguay y China iniciarán "cuanto antes" las negociaciones por un TLC. (18/10/2016). Acesso em: 25/10/2016.

 

MRE. Rusia y Paraguay coinciden en fortalecer la cooperación internacional para prevenir y castigar hechos de corrupción. (18/10/2016). Acesso em: 25/10/2016.

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