Mercosul e Aliança do Pacífico buscam aprofundar relações comerciais

12 Abril 2017

Representantes do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e da Aliança do Pacífico reuniram-se na semana passada para discutir a possibilidade de aproximação entre os blocos. A reunião aconteceu após tentativas de estreitamento que não resultaram em grandes avanços nos últimos anos. Atualmente, ambos os blocos, vistos como rivais, adotam a retórica de resposta aos impulsos protecionistas de Donald Trump como uma das principais motivações para o avanço de uma agenda comercial conjunta.

 

Em reunião no Palácio San Martín, em Buenos Aires (Argentina), ministros das Relações Exteriores e responsáveis pelo comércio internacional e produção dos países membros do Mercosul e da Aliança do Pacífico consideraram oportuno estabelecer linhas de trabalho conjuntas. Essas linhas incluem cooperação aduaneira, promoção comercial, apoio a pequenas e médias empresas e identificação de possibilidades nas cadeias regionais de valor. Tais questões já haviam sido levantadas em encontro do quadro técnico dos blocos em maio de 2016, em meio a tentativas de estabelecer reuniões de alto nível.

 

Em comunicado conjunto, os ministros reunidos em Buenos Aires também instruíram o Grupo de Alto Nível (GAN) da Aliança do Pacífico a reunir-se periodicamente com o Grupo Mercado Comum do Sul (GMC). Foi anunciada também a realização do seminário “Mercosul-Aliança do Pacífico: Uma agenda positiva para a integração”, ainda no primeiro semestre de 2017, na capital argentina.

 

As tentativas de aproximação entre os dois blocos não são recentes, mas até então elas têm sido consideradas “acanhadas”. Os dois blocos contam com um acordo que prevê uma lenta e gradual redução tarifária (ver Boletim de Notícias Pontes). Em alguns casos, entretanto, a aproximação por parte do Mercosul foi vista como uma forma de “anular” a Aliança do Pacífico. Os blocos são considerados rivais, resultados de projetos distintos de integração. Dessa forma, a aproximação entre ambos é mais gradual e complexa do que levaria a crer sua proximidade geográfica (ver Pontes v. 8, n. 5).

 

Em favor do estreitamento das relações está o México, membro da Aliança do Pacífico mais proeminente em termos econômicos, e que já havia apontado que suas prioridades comerciais em 2017 estão centradas no Brasil e na Argentina. Esse clima favorável a um acordo entre os blocos é hoje apresentado sob a retórica da resposta aos impulsos protecionistas de Donald Trump e ganhou maior suporte do lado do Mercosul após a suspensão da Venezuela e ascensão de Michel Temer à Presidência no Brasil.

 

Atualmente, o comércio entre Brasil e alguns membros da Aliança do Pacífico já opera em regime de liberalização total no caso do Chile, e parcial, no que se refere ao intercâmbio comercial com Peru e Colômbia. Mercosul e Aliança do Pacífico fizeram sua primeira reunião conjunta em matéria de cooperação aduaneira em Buenos Aires, entre 10 e 17 de março de 2017.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

MDIC. Mercosul e Aliança do Pacífico buscam aproximação durante encontro em Buenos Aires. (07/04/2017). Acesso em: 11/04/2017.

 

O Povo. Mercosul e Aliança do Pacífico buscam mais comércio. (08/04/2017). Acesso em: 11/04/2017.

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