Multilateralismo em crise?

10 Agosto 2015

Há apenas 25 anos, quem se atreveria a apresentar uma avaliação pessimista sobre o multilateralismo? Já em 2015, quem afirmaria, com todas as letras, que a Organização Mundial do Comércio (OMC) está fadada ao êxito? É possível que a percepção sobre a real capacidade do sistema multilateral de comércio de facilitar consensos no curto prazo tenha mudado mais do que as preferências dos Estados envolvidos. De fato, entre o encadeamento lógico dos discursos políticos e as necessidades de curto prazo existe uma distância considerável.

 

Longe de representar um abismo intransponível, aquilo que separa a retórica da prática é também um espaço valioso para empreendedores institucionais dispostos a propor novas alternativas. A ideia de multilateralismo representa, antes de tudo, um começo. O que o comporá não é mais do que o resultado da interação entre distintos níveis de decisão. Seus resultados, nesse sentido, não deveriam ser vistos como um fim em si mesmo, mas como um meio para a materialização de quaisquer objetivos definidos por aqueles que o compõem.

 

Por isso, o grande desafio a ser enfrentado pelo multilateralismo comercial é a construção de um espaço que equilibre duas características fundamentais. Ao mesmo tempo em que deve se afirmar como uma opção confiável para o maior número possível de sócios, deve evitar que as concessões à heterogeneidade de preferências resultem em seu esvaziamento. Para tanto, talvez a melhor pedagogia seja aquela baseada nos exemplos concretos. À medida que estende sua influência a mais setores da economia, ou aumenta seu papel na determinação das estruturas de incentivo nas economias ao redor do mundo, à OMC é aberta a possibilidade de provar que as teses que defende estão corretas.

 

Convém a todos possibilitar o teste de tais ideias, por mais limitados que sejam os experimentos. Ao sistema multilateral de comércio, por outro lado, faz-se necessário escutar com atenção as queixas de cada um de seus membros. Afinal, ainda que seus alicerces sejam constituídos por regras bem acabadas, viver baixo tais normas é uma opção. Pessimistas ou otimistas, aqueles que decidem por enviar delegações a Genebra deveriam fazê-lo porque, ali, consideram que os objetivos das sociedades que representam são levados em conta.

 

Por meio da publicação de análises que discutem aspectos centrais na construção institucional do multilateralismo comercial, o presente número do Pontes apenas demonstra sua vitalidade. Nossa missão, em tal processo, é oferecer a você, prezado(a) leitor(a) um amplo espectro de pontos de vista e temas. A opinião final, porém, é sua. Gostaríamos de escutá-la, seja em nosso site, seja em nosso e-mail.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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