Novo estudo da CNI apresenta dificuldades para o comércio exterior brasileiro

26 Maio 2018

Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou um estudo inédito que apresenta uma imagem preocupante da burocracia que incide sobre o comércio exterior brasileiro. O estudo mostra que, apesar da recente informatização pela qual passou o comércio exterior, as exportações brasileiras ainda estão sujeitas a 46 procedimentos diferentes, administrados por 12 órgãos federais. Segundo a CNI, esses trâmites administrativos teriam reduzido em 23% as vendas ao exterior no ano passado. Por outro lado, as importações contam com 72 obrigações controladas por 16 órgãos do governo, tendo um impacto negativo sobre 59% das compras no exterior.

 

Para Constanza Negri, gerente de Política Comercial da CNI, o estudo é um levantamento sistematizado de um conjunto de custos e encargos que muitas vezes são considerados como “invisíveis” para os empresários. Negri adicionou também que, embora esses custos e encargos sejam considerados imperceptíveis, isso não significa que não sejam sentidos pelas empresas. Pelo contrário, tais custos são muitas vezes de difícil identificação pela falta de transparência e disponibilidade de informações por parte das entidades governamentais responsáveis.

 

O estudo apresenta uma variedade de problemas enfrentados pelas empresas no momento das transações comerciais. A deficiência nas informações, a falta de previsibilidade e um aparente exagero nas exigências e na burocracia estão entre os problemas apontados pelas 114 empresas ouvidas pela CNI para o estudo. No entanto, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior comentou que grande parte da falta de competitividade da indústria brasileira tem sido provocada pelos custos e burocracia expostos no estudo da CNI.

 

Apesar dos resultados apresentados pelo estudo da CNI, o Brasil subiu uma posição no Anuário de Competitividade Mundial (WCY, sigla em inglês) deste ano. Divulgada em 23 de maio, a nova edição do anuário indica que o país sul-americano conseguiu uma melhora relativa desde 2010 – subindo da posição 61ª para a 60ª, entre 63 países, encontrando-se somente à frente de Croácia, Mongólia e Venezuela. Com esse resultado, o país ainda está 22 posições atrás do desempenho obtido em 2010, quando ocupava a 38ª posição.

 

A melhora do Brasil no ranking deve-se a um avanço de cinco posições no pilar do desempenho econômico, já que o ano de 2017 foi marcado por inflação baixa e o fim da recessão econômica. Outro fator que beneficiou o país nessa melhora de posições foi a oportunidade de levar a cabo as análises e as recomendações feitas pelo WYC. A pesquisa foi realizada com 179 executivos brasileiros entre fevereiro e abril de 2018, pouco antes de serem rebaixadas as previsões da retomada econômica.

 

Para Ana Burcharth da Fundação Dom Cabral, responsável pela pesquisa no país, também existem pilares de desempenho nos quais ainda precisa existir uma melhora, como é o caso da eficiência do governo, educação e infraestrutura (tanto física quanto tecnológica).

 

Apesar das dificuldades apresentadas pelo WYC, o Brasil obteve uma melhora no âmbito internacional, onde se destaca a capacidade estável do país de atrair investimentos estrangeiros.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Estadão. Burocracia trava comércio exterior, aponta estudo. (22/05/2018). Acesso em: 24/05/2018.

 

Exame. Brasil tem melhora em ranking de competitividade desde 2010. (23/05/2018). Acesso em: 24/05/2018.

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