O campo argentino e sua vocação para a inserção internacional

24 Outubro 2017

Há 151 anos, a Sociedade Rural Argentina (SRA) foi criada com uma grande vocação para a abertura e o diálogo internacional. Desde o início, essa entidade incentivou o aperfeiçoamento genético do gado, através dos registros genealógicos que realizamos há mais de 150 anos. A excelência que hoje distingue o gado argentino é fruto de décadas de trabalho, em que criadores visionários souberam consolidar, trazendo à Argentina o melhor de cada uma das raças, que temos acompanhado por mais de um século e meio.

 

Em seus primeiros anos, a SRA teve também um papel central para obter os investimentos necessários e o marco legal propício para a instalação das empresas e da tecnologia necessária para o transporte de carne em navios cargueiros frigoríficos da Argentina até os mercados europeus – que, na época, eram o principal destino do produto nacional.

 

Essa vocação para a abertura internacional guiou nossas ações ao longo de toda a nossa história. É por isso que a entidade trabalhou e trabalha para aprofundar a inserção da Argentina nos mercados externos e conseguir não apenas as melhores condições de comércio, mas também contribuir para a segurança alimentar, a produção sustentável e a eficiência e eficácia das normas sanitárias.

 

A SRA está entre os Líderes Agropecuários do Grupo Cairns desde a sua criação. Como tal, acompanha os ministros em cada uma de suas reuniões, elaborando documentos com recomendações para os temas de maior relevância.

 

No âmbito bilateral, a agenda está focada na negociação entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) e no diálogo com a Ásia-Pacífico. O objetivo é alcançar resultados no curto prazo, e a SRA colabora com os negociadores em diálogo permanente.

 

No âmbito regional, a SRA atua em instituições como a Federação de Associações Rurais do Mercosul (FARM), a Federação Panamericana do Leite (FEPALE) e o Fórum Mercosul da Carne (FMC).

 

Uma agenda comum para produtores de todo o mundo

 

Outro espaço em que a SRA participa ativamente é a Organização Mundial de Agricultores (OMA), formada por mais de 70 entidades rurais de todo o mundo e que tem o objetivo de impulsionar políticas e melhorar as condições oferecidas aos produtores, suas famílias e comunidades. A sede da OMA encontra-se na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês).

 

Há três semanas, assumi a Vice-Presidência da OMA. Os produtores do mundo todo estão unidos pelos mesmos desafios, com destaque para a mudança climática, segurança alimentar, livre acesso a mercados e participação justa na cadeia de valor – e essa agenda conjunta é prioridade para a OMA.

 

A partir de sua ação junto à OMA, a SRA participou de diferentes reuniões das Nações Unidas sobre a mudança do clima – sobretudo em 2015, quando foi aprovado o chamado Acordo de Paris. Nessa ocasião, a SRA ficou responsável por representar a posição dos produtores em nível mundial.

 

Sabe-se que a mudança climática se consolidou como uma ameaça à segurança alimentar e, por isso, a estratégia para sua mitigação e adaptação deve estar voltada ao aumento da produção e da produtividade. Para trabalhar nesse tema, participamos do Comitê de Segurança Alimentar da FAO e do debate nas Nações Unidas sobre a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

 

Além disso, a SRA recebe regularmente visitas de delegações estrangeiras interessadas em trocas comerciais com a Argentina em termos de genética bovina, vitivinicultura, produção leiteira e tecnologia aplicada ao setor agrícola. Também merece destaque o potencial exportador argentino e sua projeção internacional.

 

A agenda do setor agropecuário para a OMC em Buenos Aires

 

No âmbito multilateral, a SRA está trabalhando de maneira proativa para que resultados concretos sejam colhidos na próxima Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que será realizada em dezembro, em Buenos Aires. É por isso que, junto ao governo e representantes de câmaras empresariais nacionais e regionais, busca-se alcançar um consenso em diversos temas, sobretudo naqueles relativos a ajuda interna e, em particular, aos subsídios à produção que causam distorções ao comércio (e que terminam se consolidando como barreiras não tarifárias).

 

Considerando a importância desse tema, na última Exposição de Pecuária, Agricultura e Indústria Internacional, organizada anualmente pela SRA, foi realizado um seminário no qual foram abordados os possíveis cenários para a 11ª Conferência Ministerial da OMC (MC11, sigla em inglês). O evento contou com a participação de representantes do governo, think tanks e produtores, que debateram com os líderes agrícolas do Grupo Cairns e da FARM.

 

O denominador comum foi a necessidade de disciplinar as ajudas internas para evitar distorções e avançar no acesso a mercados – em especial nos temas que afetam o comércio de produtos agroindustriais, como as barreiras não-tarifárias, tarifas progressivas e salvaguardas.

 

Todos os espaços internacionais nos quais a SRA vem atuando e os novos desafios que a entidade assume têm como meta melhorar a produção de alimentos em termos de quantidade e qualidade.

 

A Argentina produz o suficiente para abastecer mais de 400 milhões de pessoas. O objetivo é aumentar a produção em cerca de 50% nos próximos anos e chegar, assim, a produzir alimentos para mais de 600 milhões de pessoas. O setor agropecuário argentino é jovem, dinâmico e aberto à inovação e aos avanços tecnológicos.

 

A inovação caminha de mãos dadas com a concorrência. Portanto, é necessário haver acesso a mercados, sem barreiras, para incentivar uma concorrência saudável. Assim, não apenas ganha o produtor, mas também o consumidor, que terá acesso a uma oferta superior em quantidade e qualidade.

 

* Luis Miguel Etchevehere é presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA).

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24 Outubro 2017
Neste artigo, o autor identifica aspectos que tornam a Aliança do Pacífico um processo de integração inovador, sobretudo por constituir um projeto institucional que favorece a agilidade nas negociações, a interação entre governo e setor privado, a cooperação internacional e políticas concretas de apoio às PMEs.
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24 Outubro 2017
Citando iniciativas de novas alianças privadas do Mercosul, como GPS e MAIZAL, a autora reforça a importância de que as associações agropecuárias nacionais continuem o esforço de consolidar uma agenda regional para atender aos níveis de produção de cereais e proteína animal que o mundo consumirá em 2050.
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