OCDE e FAO: Argentina e Brasil terão papel central na oferta global de alimentos

5 Julho 2018

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês) divulgaram, em 3 de junho, o informe Perspectivas agrícolas OCDE-FAO 2018-2017, no qual estimam que a produção mundial de produtos agrícolas e pesqueiros crescerá 20% na próxima década. O relatório conjunto OCDE-FAO também indicou que países como Argentina e Brasil desempenham um papel fundamental no fortalecimento da região latino-americana em termos agrícolas.

 

Segundo o informe, a região da América Latina e do Caribe figurará, até 2027, entre os mais importantes fornecedores globais de alimentos básicos, representando entre 56% e 59% da oferta de soja e açúcar no comércio mundial e 30%, no caso dos produtos cárneos. O relatório também sustenta que a produção agrícola global cresceu de forma constante e atingiu níveis recordes em 2017, em tipos específicos de cereais, carne, lácteos e pescados. Porém, a manutenção desse cenário exigirá um incentivo para o comércio agrícola, fundamentado em políticas específicas para o setor.

 

O estudo também faz uma análise sobre os vários fatores que impulsionarão a produção de certos itens alimentícios. Na América Latina, o Paraguai deve expandir significativamente sua área de cultivo de soja. No caso da Argentina, políticas comerciais como a eliminação das taxas de exportação de milho e trigo devem incentivar a produção orientada à exportação de determinados alimentos. Ainda segundo o estudo da FAO-OCDE, há previsões de aumento no cultivo de soja e milho no Brasil. Essa expansão regional do cultivo de grãos será motivada pela demanda regional por farelo de proteína e pela crescente demanda global por soja.

 

Outro exemplo apresentado no relatório é o etanol de cana, cuja comercialização será beneficiada pela classificação dessa fonte de energia nos Estados Unidos como um combustível renovável avançado. Dessa forma, espera-se que a posição da região como exportadora líquida de etanol se fortaleça nos próximos dez anos, com o valor líquido do comércio crescendo 11% ao ano.

 

O Brasil é destacado pelo relatório como um dos países que desempenhará um papel fundamental como principal fornecedor de alimentos para todo o mundo, juntamente com China, Estados Unidos, Europa Ocidental, Índia e Rússia.

 

Na divulgação do informe, outro tema que ganhou relevância foi segurança alimentar. Para Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, e José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, tudo depende de estímulos à produção e ao adequado comércio agrícola para o tema de segurança alimentar. Ambas as autoridades ressaltaram a importância de políticas específicas para o setor agrícola como forma de assegurar alimentos suficientes e necessários para a população. Os representantes das duas organizações também comentaram que, apesar da projeção de aumento da produção agrícola, existe uma tendência de queda da demanda mundial por alimentos, sendo que essa desaceleração pode ser atribuída ao declínio gradual nas taxas de crescimento da população global.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Agência Brasil. OCDE e FAO: produção agrícola mundial deve crescer 20% em dez anos. (03/07/2018). Acesso em: 06/07/2018.

 

El Financiero. Producción agrícola aumentará en Latinoamérica por consumo y lácteos: OCDE. (03/07/2018). Acesso em: 05/07/2018.

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