OMC intensifica diálogo direto com o setor privado

2 Junho 2016

Com o objetivo de intensificar a interlocução direta com o setor privado, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, participou de dois encontros com representantes de empresas durante o mês de maio. O primeiro, realizado no dia 23, envolveu o diretor-geral da BusinessEurope, Markus Beyer. Sete dias depois, Azevêdo encontrou-se com 40 representantes de empresas de diversos continentes, setores e portes. Tais eventos são indicativos dos esforços voltados a preservar a OMC como um foro relevante para a impulsão dos fluxos comerciais, além de revelarem certa flexibilidade da Organização em adaptar-se às transformações do mundo.

 

O representante da comunidade empresarial europeia mostrou disposição da entidade para envolver-se ainda mais no trabalho da OMC. A BusinessEurope apoia fortemente o sistema multilateral de comércio e tem demonstrado interesse em questões como investimentos, economia digital e transparência nas práticas de contratação.

 

Segundo a própria OMC, o interesse do setor privado em seu sistema aumentou após as Conferências Ministeriais de 2013 e 2015, principalmente após a assinatura do Acordo de Facilitação do Comércio e o Acordo de Tecnologia da Informação. Nesse sentido, a Câmara de Comércio Internacional (CCI) e o B20 (braço do setor privado do G-20) pediram à OMC uma plataforma para que pessoas do meio empresarial discutissem questões comerciais atuais. O pedido foi aceito, e a reunião foi realizada em 30 de maio.

 

O grupo de 40 empresas apresentou temas que podem ser negociados no âmbito da OMC: além de aspectos tradicionais, como redução de tarifas e subsídios, figuraram na pauta os chamados novos temas – tais como comércio eletrônico, facilitação de investimentos, boas práticas para combater a corrupção e melhora das condições para pequenas e médias empresas.

 

Azevêdo destacou que esses novos temas não ameaçariam a posição da Rodada Doha: pelo contrário, podem ser incorporados às negociações, caso os Estados assim o desejem. De acordo com Azevêdo, tudo depende da capacidade das empresas em dar forma concreta ao que esperam que seja feito nas áreas citadas; e se os membros da OMC terão interesse nesses temas. Ou seja, existe a possibilidade de convergência entre as agendas (sobre o tema, ver o paper publicado pela E15 Initiative).

 

Entre as empresas presentes estavam: Ebay, Dow Chemical, MasterCard, S&P Global, Deloitte, Samsung, Nestlé, Boeringer Ingelheim, BT Group, Diageo, Maersk, Embraer, Coteminas, Bharti e Tata Services, Orascom, Fonterra, Companhia Petroquímica da Arábia Saudita, Teyseer, Oryspa.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Valor Econômico. Empresas vão à OMC pedir novos acordos de abertura comercial. (30/05/2016). Acesso em: 30 mai. 2016.

 

WTO. El Director General Azevêdo se reúne con el jefe del grupo empresarial europeo. (23/05/2016). Acesso em: 30 mai. 2016.

 

______. WTO/World Bank Forum discusses how to ensure the poor gain from trade. (26/05/2016). Acesso em: 30 mai. 2016.

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